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MSF combate meningite entre os refugiados de Darfur, no leste do Chade

02/02/2005
Campanhas de vacinação pretendem imunizar cerca de 70.000 refugiados sudaneses no Chade, além de residentes de cidades próximas aos campos de refugiados. A meningite é uma doença fatal que mata entre 50 e 80 por cento dos doentes

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está lançando uma campanha de vacinação contra a meningite no leste do Chade, após o recente surto entre os refugiados de Darfur, Sudão, no país vizinho. A campanha visa poteger milhares de pessoas na área contra essa doença altamente infecciosa, que é particularmente ameaçadora nos campos superpopulosos.

MSF está trabalhando junto com autoridades locais de saúde e com a Cruz Vermelha Internacional. Por um período de duas semanas, MSF está planejando vacinar cerca de 70.000 refugiados sudaneses e residentes locais nos campos de Bredjing e Farchana, nos arredores e na fronteira da cidade de Adré.

“Essa é uma doença mortal que, sem tratamento, mata entre 50 e 80 por cento daqueles que a contraem”, explicou Paul van Haperen, Coordenador Geral de MSF no Chade. “A alta densidade populacional nos campos de refugiados facilita a disseminação da meningite”.

Os primeiros casos de meningite foram descobertos nos campos de refugiados em Bredjing e Trequine no começo de janeiro. Mais de um ano depois das pessoas terem fugido de Darfur - região devastada pela guerra no Sudão - as condições de vida nesses campos continuam bastante precárias.

“As autoridades de saúde do Chade nos pediram ajuda para responder à situação”, continuou Paul van Haperen. “MSF mobilizou suas equipes de vacinação o mais rápido possível”.

Além dos locais fixos de vacinação nos campos de refugiados e três outros na cidade de Adré, equipes móveis cobrirão as áreas mais distantes. MSF está também aperfeiçoando o sistema de vigilância no distrito e tratando com antibióticos os pacientes que contraíram a doença.

A meningite é uma infecção das membranas meninges que cobrem o cérebro e a medula espinhal como uma bainha. O surto atual é causado pela cepa relativamente rara “W135” da bactéria meningocócicos.

O Chade está dentro do chamado cinturão da meningite, que abrange a África subsaariana, onde epidemias ocorrem regularmente e afetam milhares de pessoas. Só no Chade, surtos ocorreram em 1998, 2000 e 2001.

MSF vem trabalhando ao longo da fronteira leste do Chade desde setembro de 2003, e está oferecendo assistência médica e cirúrgica, suporte nutricional assim como instalações de água e saneamento para 85.000 refugiados sudaneses.

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