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MSF chega a áreas inundadas no Estado de Bihar, na Índia

02/09/2008
Autoridades apelam para organizações humanitárias para enfrentar o desastre, para o qual a população não estava preparada

Uma equipe de emergência da organização de ajuda humanitária, Médicos Sem Fronteiras (MSF), chegou às áreas mais afetadas pela enchente no Estado de Bihar, na Índia. A equipe, incluindo um logístico, um engenheiro de águas e saneamento e um médico, está avaliando a extensão das necessidades humanitárias em Araria e Purnea-Madhepura. O grupo também trouxe suprimentos, não voltados para a alimentação, para distribuir entre as vítimas.

Ontem, o primeiro ministro declarou que as enchentes são uma "calamidade nacional" e apelou para ONGs internacionais por ajuda humanitária. MSF enviou quatro caminhões contendo 15 mil lonas impermeabilizadas, quatro mil cobertores, 15 mil penicos e tabletes de cloro a serem distribuídos para a população afetada pela catástrofe.

A enchente é resultado de uma fenda na represa do rio Kosi no lado do Nepal no dia 20 de agosto. A abertura forçou a água do rio a tomar um novo curso através dos blocos a leste do distrito de Supaul. Por enquanto, a ruptura tem três quilômetros de largura e está crescendo 200 metros por dia. O governo estima que cerca de cinco milhões de pessoas foram afetadas pela inundação e um milhão delas estão desalojadas.

"Nós não estamos falando de inundações normais provocadas pelos monções", disse Mari-Carmen Viñoles, chefe de missão de MSF em Delhi. "O problema é que o rio Kosi mudou seu curso e os vilarejos e autoridades não estão totalmente preparados para esse tipo de crise. Não houve nenhum tipo de preparação para administração do desastre e as autoridades perguntaram por MSF e outras organizações para ajudar a enfrentar a catástrofe."

As fortes correntezas que estão se formando através das regiões afetadas significam que barcos a motor são o único meio seguro de evacuar pessoas.

A maior prioridade é uma operação de busca e resgate. Existem muito poucos barcos desse tipo disponíveis e apenas 50 mil pessoas foram evacuadas até agora. A falta de barcos motorizados também significa que tem sido muito difícil avaliar a situação pela água. Isso quer dizer que existe muito pouca informação sobre o número de pessoas que morreram ou ainda estão esperando resgate. Algumas áreas continuam completamente isoladas e histórias daqueles que estão em abrigos temporários indicam que vilas inteiras foram destruídas pelas águas da enchente e não existem sobreviventes. Essas áreas estão começando a sofrer agora com grande falta de alimentos.

As pessoas desalojadas estão se refugiando nos abrigos temporários, localizados a céu aberto, em aterros e na beira de estradas. A maioria das pessoas não têm abrigo próprio,e, porque a prioridade é a operação de busca e resgate, existem pouquíssimas organizações no terreno. A água potável disponíveis nos abrigos é insuficiente e aqueles que estão vivendo nos campos a céu aberto estando usando água do rio, que não é própria para beber. Estima-se que mais 400 mil pessoas chegarão aos campos de desabrigados nos próximos dias.

As necessidades mais imediatas da população são provisão de comida, forros de plástico para construir abrigos temporários, tabletes para purificação da água, utensilhos de cozinha, baldes e kits de higiene. Assistência média e saches de reidratação são também essenciais para prevenir doenças entre a população.