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MSF atende dezenas de milhares de refugiados marfinenses próximos à fronteira na Libéria

02/03/2011
Em resposta à escalada de violência na Costa do Marfim em consequência da crise política no país, MSF está reforçando a assistência médica em várias regiões

Desde o início de dezembro de 2010, em função da onda de tensão e violência que se instalou na Costa do Marfim, após as eleições, dezenas de milhares de marfinenses procuram refúgio na fronteira com a Libéria. Mais de 38 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, chegaram ao condado liberiano de Nimba, região que faz fronteira com a Costa do Marfim.

"Hoje nós não vemos tantas pessoas chegando, mas, com a enorme quantidade de refugiados que já havia chegado anteriormente, as estruturas médicas já estão sobrecarregadas, e as necessidades médicas aumentaram significativamente. Há algumas semanas, nós estamos avaliando a situação e a assistência médica que MSF pode oferecer", explicou Helga Ritter, coordenadora geral de Médicos Sem Fronteiras na Libéria. "Nós identificamos quatro áreas no país onde tanto a população local quanto os refugiados precisam de ajuda médica. Estamos levando a clínica móvel uma vez por semana para cada uma dessas localidades".

Cuidados de saúde primários estão sendo oferecidos gratuitamente tanto à população local quanto aos refugiados. A equipe de MSF também implementou um sistema de referência para os pacientes que precisam ser tratados em um dos dois hospitais do condado de Nimba. Equipes médicas de MSF estão tratando principalmente casos de infecções respiratórias, diarreia e malária. A média é de 120 consultas realizadas por dia.

"Os marfinenses procuraram refúgio em cerca de 70 aldeias ao longo da fronteira", explica Katrin Kisswani, coordenadora do projeto de MSF. "Eles alegam ter saído de seu país por temerem a violência. Em alguns locais eles estão abrigados com famílias locais; em outros, receberam casas; e em algumas aldeias, estão em tendas plásticas. Sem dúvida, essa é uma situação difícil para os refugiados e para as famílias locais que estão os recebendo e que já tinham recursos limitados e condições de vida precárias".

Na cidade de Bahn, um acampamento de 15 mil pessoas montado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, na sigla em inglês) acaba de entrar em funcionamento. Ele deve abrigar parte dos refugiados que ficaram com famílias locais por mais de dois meses. A equipe de MSF está avaliando as condições médicas dos refugiados que chegam aos acampamentos, oferecendo cuidados médicos quando necessários e vacinando crianças com menos de 15 anos contra o sarampo. MSF também está fornecendo apoio técnico e medicamentos gratuitos para o centro do Ministério da Saúde em Bahn.

O tamanho da área pela qual os refugiados se espalharam é um desafio para MSF. "Com uma unidade móvel, tentamos monitorar ao máximo a situação médica dos refugiados, e a capacidade dos serviços de saúde locais de lidar com estas novas demandas", diz Katrin Kisswani. "Nós estamos preparados para mudar os locais onde organizamos as clínicas móveis, bem como organizar uma resposta médica maior, se necessário".

No outro lado da fronteira, em Duékoué, situada na parte ocidental da Costa do Marfim, equipes de MSF também estão oferecendo cuidados médicos para as populações locais e para as pessoas que se deslocaram por conta da violência no período após as eleições.

Equipes de MSF estão trabalhando na Libéria desde 1990. MSF permanece na Libéria, em Monróvia, para dar apoio ao Ministério da Saúde e Bem-Estar Social, respondendo a casos de violência sexual e de gênero.

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