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MSF amplia atividades na Ucrânia

27/04/2015
Clínicas móveis oferecem consultas de saúde básica em mais de 30 localidades e programas de saúde mental continuam em andamento

Foto: Jon Levy

As necessidades médicas de residentes locais e pessoas deslocadas permanecem urgentes em ambos os lados da frente de batalha. Muitos agentes de saúde saíram da região controlada pelos rebeldes, deixando milhares de pessoas sem acesso a cuidados de saúde em vilarejos remotos. Muitas instalações foram danificadas ou destruídas e há uma grave escassez de medicamentos básicos e especializados.

MSF continua ampliando atividades médicas para atender as necessidades das pessoas que vivem nas regiões mais afetadas e que fugiram do conflito. Desde o início do conflito, MSF abasteceu mais de 110 instalações, hospitais e ambulatórios com medicamentos, material médico e equipamentos.

Consultas médicas
Em janeiro, MSF começou a operar clínicas móveis nas regiões de Donetsk e Lugansk, em ambos os lados da linha de frente de batalha, para oferecer cuidados de saúde básica para habitantes e pessoas deslocadas vivendo em acomodações temporárias em cidades e vilarejos. Atualmente, as equipes de MSF operam clínicas móveis em mais de 30 localidades em ambos os lados da linha de frente de batalha, em cidades como Donetsk, Luhansk, Debaltseve e Artemivsk, mas também em vilarejos do entorno, tentando chegar às pessoas em regiões rurais onde as necessidades são agudas.

Pessoas vivendo nos vilarejos próximo à linha de frente da batalha em ambos os lados são as que mais sofrem. Há muito menos profissionais de saúde ali, e não há medicamentos. A maioria das pessoas que permaneceram em áreas controladas pelos rebeldes são idosos ou têm alguma deficiência, ou ainda não tiveram meios de fugir dali. Os médicos de MSF atendem, principalmente, pacientes com doenças crônicas, bem como infecções respiratórias, porque muitas das casas tiveram as janelas explodidas e as pessoas estão vivendo em abrigos com aquecimento precário.

Programa de saúde mental
MSF também está expandindo o programa de saúde mental para beneficiar mais pessoas afetadas pelo conflito, pacientes em instalações sociais, pessoas deslocadas, bem como o pessoal médico. Mais de 1.100 consultas individuais foram conduzidas de maio de 2014 a fevereiro de 2015. Muitos pacientes são traumatizados pelos eventos que vivenciam e podem ter insônia ou ansiedade. Alguns testemunharam diretamente bombardeios e perderam seus entes queridos, na medida em que outros tiveram de se separar de suas famílias ao fugir. MSF oferece aconselhamento aos pacientes na tentativa de aliviar os sintomas mais agudos que os afligem.

Programa de tuberculose multirresistente no sistema penitenciário
MSF mantém um programa voltado para o tratamento da tuberculose multirresistente na Ucrânia desde 2011, e, atualmente, administra o tratamento de 170 pacientes em cinco centros de pré-detenção e penitenciárias em Mariupol, Artemovsk, Dnepropetrovsk, Dzhanivka e Donetsk. A equipe oferece todos os medicamentos necessários para o tratamento da doença e auxilia os pacientes a lidar com os efeitos colaterais. Quando o conflito teve início no leste da Ucrânia, manter o programa de TB em andamento se tornou um desafio: a organização chegou a interromper o trabalho em centros de detenção, na medida em que os pesados bombardeios dificultavam a movimentação da equipe para chegar até eles. No entanto, mesmo sem que a equipe pudesse chegar até as estruturas, MSF conseguiu garantir que os medicamentos continuassem disponíveis – e eles têm estado, sem qualquer ruptura, em meio ao conflito.

Atualmente, MSF retomou sua presença regular nas instalações e está ajudando a preencher algumas das lacunas na equipe de saúde. Muitos dos pacientes que haviam interrompido seus tratamentos agora o reiniciaram, e dados referentes aos últimos dois meses apontaram bons resultados em termos de aderência ao tratamento. MSF também está tentando ajudar a controlar a proliferação da doença no sistema penitenciário por meio da oferta de suporte com o diagnóstico precoce da doença e a melhora dos mecanismos de controle.

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