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MSF alerta: cinco epidemias para acompanhar em 2016

26/01/2016
MSF faz recomendações para o manejo de doenças a fim de interromper e prevenir novos surtos

Foto: William Daniels/Panos Pictures

Cinco doenças com potencial para se tornarem epidemias em 2016 estão sendo destacadas pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), na ocasião da reunião do Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, na Suíça. Sem investimento apropriado para prevenir e responder a surtos de cólera, malária, sarampo, meningite e um grupo de doenças menos conhecidas propagadas por vírus e parasitas, essas doenças podem representar uma ameaça ainda maior para a saúde das pessoas ao longo deste ano.

As estratégias atuais para evitar grandes surtos de doenças mostram apenas um sucesso limitado. Epidemias continuam ocorrendo, por vezes com consequências devastadoras para alguns países menos desenvolvidos. As epidemias abrem brechas nos sistemas de saúde nacionais, esgotam os recursos disponíveis e, em muitos casos, matam um número elevado de pessoas.

“Sabemos que milhares de vidas estarão em risco este ano, embora existam meios para evitar essas mortes”, diz a Dra. Monica Rull, consultora operacional de saúde para MSF. “Epidemias de cólera, malária, sarampo e meningite acontecem todos os anos, incapacitando e matando muitos. E isso precisa parar. Ao mesmo tempo, a ameaça representada por vírus emergentes e re-emergentes e doenças propagadas por parasitas, como a dengue, o zica, o Ebola e o calazar, precisa ser enfrentada.”

Junto a medidas preventivas, devem ser disponibilizados recursos para estruturar sistemas de resposta emergenciais efetivos. Isso deve ser parte de um esforço global para ajudar países a fortalecer suas infraestruturas de saúde e competências, e oferecer educação em saúde às comunidades locais.

Mecanismos de alerta rápido devem ser acompanhados de atividades de resposta rápida quando um surto eclodir, com a oferta de cuidados médicos gratuitos e de qualidade a todos os afetados.

A agenda da área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) deve ser reorientada para o bem público maior, com o reconhecimento de que não se pode contar com as forças de mercado para a entrega de ferramentas eficazes, acessíveis e a preços justos para grupos populacionais carentes.

MSF enfatiza que o primeiro passo para a segurança sanitária mundial é a segurança sanitária individual, incluindo os doentes e as pessoas mais vulneráveis.

“As estratégias de resposta a surtos atuais estão falhando com as pessoas que deveriam ajudar”, diz a Dra. Monica Rull. “Se não fizermos mudanças significativas, estaremos condenados a repetir os mesmos erros do passado, e devemos assumir a responsabilidade pelas consequências.”

* Leia aqui o relatório completo.