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MSF ajuda a combater surto de malária no Sudão e na Etiópia

16/12/2003
Na Etiópia, MSF pede permissão ao Ministério da Saúde para tratar os casos de malária com artemisinina, atendendo recomendação da OMS que considera o tratamento mais eficaz. No Sudão, equipes em bicicleta levam cuidados às áreas mais isoladas do país.

Mais de 70.000 habitantes da província de Bahr-el-Ghazal, no sul do Sudão já receberam tratamento contra a malária das equipes de saúde de MSF que usam até bicicletas para chegar às áreas que ficaram isoladas devido às graves enchentes que atingiram a região após dois anos de seca. As equipes móveis de MSF vêm observando um grande aumento no número de casos de malária desde junho e o trabalho das equipes irá continuar até que o nível das águas retorne ao normal.

“Essas clínicas transportadas por bicicletas evitam a morte de crianças e adultos vulneráveis que acabam ficando isolados nas suas cidades,” explica Greg Elder, coordenador de saúde de MSF.

As crianças com menos de cinco anos são as mais afetadas já que muitas sofrem de desnutrição. Mais de 50% dos pacientes tratados pelas equipes móveis são crianças de até cinco anos. As equipes fazem o diagnóstico, oferecem tratamento e distribuem remédios a milhares de pessoas. Uma média de 5.000 pacientes por semana recebe tratamento nas unidades fixas e móveis de MSF.

Ao todo, 40 bicicletas foram levadas por MSF para 15 equipes formadas no mínimo por um enfermeiro e um assistente. “Malária é endêmica na região, no entanto, houve um aumento significativo dos casos este ano em comparação com os anos anteriores. Temos tratado até cinco vezes mais pacientes que no ano passado,” observa Greg Elder.

Etiópia: MSF pede permissão para usar tratamento mais efetivo

Na Etiópia, MSF está preocupada com os altos índices de mortalidade por malária observados em várias cidades, após um surto da doença que atingiu o país. A intensidade deste surto está sendo agravada pelo tratamento de primeira linha que apresenta falhas em muitos casos. Por causa disso, o índice de mortalidade está entre 3.5 – 11/10.000 pessoas/dia, sendo que os índices acima de 1/10.000 pessoas/dia já são suficientes para se considerar uma situação de emergência.

MSF está pedindo permissão ao Ministério da Saúde para usar o tratamento a base de artemisinina, como recomenda a OMS – Organização Mundial de Saúde. Em experiências de MSF em muitos outros países, o uso da artemisinina mostra resultados clínicos extraordinários, curando pacientes e reduzindo a transmissão da doença.

O governo da Etiópia está consciente da resistência causada pelos medicamentos em uso no momento e está realizando uma estudo com artemisinina cujos resultados estarão prontos em março de 2004.

Este é o pior surto de malária na Etiópia, desde 1998. Altos índices de malária estão sendo observados em diversas regiões do país. Em uma das clínicas de MSF para tratar a doença, as consultas para o tratamento da malária aumentaram de 100, em setembro, para mais de 800 nas primeiras duas semanas de novembro. A maioria dos casos é causada por um parasita altamente letal.

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