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MSF abre clínica para o tratamento gratuito de portadores de HIV/Aids na China

06/06/2003
Esta é uma das primeiras clínicas do país a oferecer tratamento gratuito aos portadores de HIV/Aids. Além de distribuir medicamentos para infecções oportunistas e anti-retrovirais, MSF vai desenvolver programa educacional para evitar o estigma social.

A organização Médicos Sem Fronteiras irá receber hoje os primeiros pacientes da nova clínica de tratamento do HIV/Aids em Xiangfan na província chinesa de Hubei. A clínica é uma das primeiras no país a oferecer tratamento gratuito às pessoas infectadas pelo HIV, dando esperança aos pacientes pobres que não têm condições de arcar com os altos custos dos medicamentos anti-retrovirais. O projeto está sendo desenvolvido juntamente com o Centro de Controle de Doenças de Xiangfan e terá capacidade para oferecer tratamento a 500 pessoas.

“Estamos bastante animados com o lançamento deste projeto já que representa um progresso para o tratamento, num país com índices crescentes de HIV/Aids,” disse Luc Van Leemput, Coordenador Geral do Projeto de MSF em Xiangfan. “Embora muitos hospitais chineses tenham capacidade para oferecer tratamento às pessoas vivendo com HIV/Aids, o alto custo das remédios impede os que mais sofrem de terem acesso às drogas. Assim como em muitos outros países, é o caso de ‘seu dinheiro ou sua vida’. A abertura desta nova clínica ilustra o desejo das autoridades da China de enfrentar um problema de saúde que ainda é tabu na sociedade chinesa.”

A província de Hubei tem cerca de 45.000 pessoas vivendo com HIV/Aids, a maioria deles infectados, há vários anos, após venderem sangue para bancos de sangue ilegais. A clínica de MSF vai inicialmente se concentrar em oferecer assistência médica aos pacientes de HIV/Aids que já apresentaram infecções oportunistas – tais como tuberculose e pneumonia, doenças que costumam aparecer antes do diagnóstico da Aids.

“O HIV destrói as células do sistema imunológico” explica Anita Wang, uma médica da equipe de MSF. “Isto significa que portadores do HIV são especialmente suscetíveis a doenças como a tuberculose. Embora os profissionais do hospital local tenham conhecimento do problema da co-infecção HIV/TB, não existe, no momento, nenhum sistema em funcionamento para o diagnóstico e tratamento de pacientes. Em parte, porque a maioria dos portadores do HIV desta região não tem condições de comprar os medicamentos.” A clínica de MSF vai oferecer aos soropositivos remédios como o cotrimoxazole que reduz o risco deles desenvolverem infecções oportunistas, assim como tratamento para aqueles que já sofrem dessas doenças.

Após o período inicial de seis a nove meses, MSF vai dar início também à distribuição de anti-retrovirais a pacientes selecionados na região de Xiangfan. A terapia combinada reforça significativamente o sistema imunológico e tem a capacidade de melhorar e prolongar a vida de muitas pessoas vivendo com HIV/Aids. A clínica tem capacidade de oferecer tratamento anti-retroviral para até 500 pessoas.

Devido ao estigma sofrido por muitos portadores do HIV/Aids na comunidade onde vivem, muitos preferem manter o status sorológico em sigilo, exceto dos familiares mais próximos, para evitar discriminação. Parte do programa de MSF vai se concentrar em ampliar o conhecimento sobre HIV/Aids entre os pacientes e seus familiares e em organizar grupos de ajuda mútua.

“Pessoas infectadas pelo HIV têm medo de serem discriminadas,” informa Van Leemput. “Mesmo os familiares não infectados sofrem sérios problemas de discriminação. Alguns portadores do HIV preferem buscar assistência médica longe de casa para manter em sigilo o seu status sorológico. Muitos deles, que já estiveram em contato com profissionais de MSF, pediram ajuda para lidar com o problema do estigma social.”

Um objetivo de longo prazo do projeto é melhorar o conhecimento da comunidade acerca do que é aids e como o HIV é transmitido. Projetos de conscientização e educação serão organizados em conjunto com as autoridades de saúde para tentar reduzir o problema do estigma social e encorajar a testagem voluntária para o HIV, especialmente entre mulheres grávidas.