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Mianmar: sobreviventes do ciclone Nargis ainda enfrentam muitas dificuldades

08/07/2008
Apesar das necessidades da população ainda serem enormes, houve uma redução significativa de ajuda humanitária

Já se passaram dois meses desde que o ciclone Nargis atingiu Mianmar no dia 2 de maio, devastando comunidades inteiras, matando milhares de pessoas e destruindo a vida de outras milhares. Apesar de já terem se passado oito semanas, as necessidades enfrentadas pelos sobreviventes continuam críticas.

Enquanto o desastre saiu das páginas dos jornais, o sofrimento dos que sobreviveram ainda continua. Milhares de pessoas que vivem no Delta do Irrawaddy, uma das áreas mais afetadas, ainda lutam para sobreviver diariamente e há uma redução significativa de ajuda humanitária adequada em muitas áreas.

À medida que as pessoas de Mianmar tentam reconstruir suas vidas e comunidades, MSF vê claramente que a necessidade urgente de ajuda básica - incluindo comida, água, abrigo e suprimentos médicos - vai continuar. O fornecimento de ajuda humanitária em Mianmar continua a ser muito importante.

MSF agora tem acesso total às pessoas que vivem na região do delta. Nas últimas semanas as equipes aumentaram significantemente as atividades de emergência e a cobertura médica para atingir sobreviventes que ainda não receberam ajuda humanitária adequada.

As equipes de MSF estão trabalhando para alcançar cerca de 350 mil pessoas com ajuda humanitária emergencial na área do delta. MSF está administrando unidades hospitalares e clínicas móveis para conseguir atender o maior número de pessoas possível.

Desde o início da resposta de emergência, dois meses atrás, MSF teve acesso a mais de 460 mil pessoas através de sua intervenção de emergência, entregou 939 toneladas de suprimentos médicos e emergenciais e contabilizou mais de 30 mil consultas.

Questões médicas no Delta

MSF realizou mais de 30 mil consultas médicas e está tratando pessoas com diarréia, infecções respiratórias, malária, dengue e desnutrição. Atualmente, não há registros de surtos ou epidemias e as patologias permanecem relativamente estáveis.

No entanto, surtos futuros de doenças entre os sobreviventes são motivo de preocupação, particularmente porque as fortes chuvas continuam. Muitas doenças, como malária e dengue, são endêmicas em Mianmar. Estamos na estação dessas doenças e com o período de chuvas, levando-se em conta a falta de acesso das pessoas a abrigo, alimentos e água potável, a vulnerabilidade da população é ainda maior.

Atualmente, os casos de diarréia representam mais de um décimo das consultas médicas de MSF (aproximadamente 11,77%), provocada por uma combinação de péssimas condições sanitárias, água contaminada e exposição ao clima. O número de casos de infecção respiratória representa cerca de 12.5% das consultas médicas de MSF.

Outro problema é o frio e a lama, causada pelas chuvas, que podem levar a mais casos de infecção respiratória. Enquanto MSF constrói mais abrigos permanentes, muitas pessoas têm vivido em estruturas temporárias feitas com lâminas de plástico distribuídas por agências humanitárias ou outros materiais que a população conseguiu encontrar.

Houve um pequeno número de casos de sarampo e o Ministério da Saúde, junto com a Organização Mundial de Saúde (OMS), realizou uma campanha de vacinação no acampamento Labutta.

Apesar do número de casos de dengue continuar relativamente baixo, MSF está monitorando a doença nas áreas de intervenção. MSF também participa da iniciativa da OMS de prevenir a futura transmissão de dengue, através da melhora do sistema de drenagem e redução de áreas com água parada.

Desnutrição também é um problema. Devido à falta de acesso regular a alimentos enfrentada por sobreviventes das regiões remotas do delta, MSF está monitorando os níveis de má nutrição para os grupos que estão nas áreas de maior risco, particularmente crianças com menos de cinco anos.

MSF está examinando cada vez mais crianças. As equipes que estão em Bogaley, Setsu e Pyapon descobriram que há uma grande proporção (15%) de crianças com risco de ficarem desnutridas. Em algumas de suas clínicas, MSF já tratou alguns casos de desnutrição severa aguda em crianças. Os números são baixos (entre 0 e 0,5% de crianças). MSF também está oferecendo suprimentos alimentares para um grupo de pessoas que foi diagnosticada com desnutrição moderada, para garantir sua rápida recuperação, e para outros grupos vulneráveis, como mulheres grávidas e em fase de aleitamento.