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México: a vida em Guerrero

01/05/2019
México: a vida em Guerrero

Foto: Juan Carlos Tomasi

Três equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) deixam Iguala de la Independencia toda segunda-feira para ir a diferentes municípios em Guerrero. Uma delas, uma equipe exploratória, vai a lugares onde houve episódios recentes de violência para avaliar as necessidades médicas. As outras duas, cada uma com uma rota definida, dirigem-se para vilarejos que já foram avaliados previamente, onde oferecerão serviços médicos e psicológicos. O objetivo das equipes de MSF em Guerrero — estado atormentado por confrontos frequentes entre gangues criminosas, forças de segurança e polícia local — é atingir as populações que foram afetadas pelos combates e aqueles a quem a violência atual impede de ter acesso a serviços médicos.

“Muitas vezes, encontramos populações que estão em confinamento, que não conseguem chegar a centros urbanos maiores porque estão cercadas por gangues armadas que os ameaçam ou porque as tensões existentes as impedem de fazê-lo”, diz Serge St. Louis, coordenador do projeto em Guerrero. As equipes voltam às cidades todo mês, até que o bloqueio seja suavizado ou a emergência tenha terminado. De qualquer maneira, o monitoramento da área continua, caso seja necessário retornar. “Trabalhamos em cooperação com o Ministério da Saúde para identificar os lugares que precisamos acessar e negociar nossa entrada com os moradores, e com o comitê de saúde, se houver um.” São os moradores os responsáveis por acolher os membros de MSF e preparar um local para acampar e estabelecer sua base. Muitas vezes, eles usam salas em escolas, esvaziadas porque os professores não conseguem dar aulas, ou centros de saúde, que à noite se tornam acampamentos, onde a equipe dorme.

Essas equipes de oito pessoas são formadas por médicos, psicólogos, enfermeiros e logísticos/motoristas e oferecem atendimento médico e psicológico. “Nosso objetivo é chegar o mais rápido possível — dentro de sete dias após um evento — a fim de evitar o desenvolvimento de condições patológicas mais graves, tanto físicas quanto mentais. Quando chegamos a uma situação de emergência, talvez tenhamos que lidar com pacientes feridos em estado grave. Em termos de saúde mental, procuramos evitar uma normalização de emoções que possam causar distúrbios patológicos, que acabam se transformando em transtornos de ansiedade ou depressivos”, diz Carlos Arias, diretor-médico do projeto. Os serviços oferecidos incluem o acompanhamento pós-parto, serviços de planejamento familiar, apoio psicossocial e atendimento especializado para casos de violência sexual. “Em Guerrero, nos concentramos em responder a emergências, fazer encaminhamentos para centros de saúde ou hospitais, oferecer cuidados de saúde mental e operar clínicas móveis que, dependendo da situação, podem visitar uma população algumas vezes, por dois meses ou até seis ou sete vezes. Por fim, em Acapulco, nos concentramos em prestar assistência a sobreviventes de violência sexual.”

Em 2018, as equipes visitaram 26 comunidades afetadas pela violência. A grande maioria delas estava nas regiões de Tierra Caliente, Norte e Centro em Guerrero. Em 2019, elas também começaram a trabalhar na região de Costa Grande e esperam que as equipes possam monitorar a situação na maior parte do estado de Guerrero ao longo do ano.

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