Você está aqui

“Meu coração saltou de alegria”: os altos e baixos do tratamento da malária na RDC

30/04/2014
Médica de MSF detalha a rotina de tratamento de pacientes com a doença no país

A médica Josine Blanksma trabalhou no hospital de Baraka no leste da República Democrática do Congo (RDC) por oito meses. Durante esse período, ela tratou centenas de pacientes com malária, uma infecção parasitária que pode ser particularmente fatal para crianças. Aqui, ela descreve como foi tratar os jovens pacientes com a doença.

“Na ala, os enfermeiros estão sempre ocupados, indo de um lado para o outro, tirando temperaturas, checando os batimentos cardíacos dos pequenos, avaliando sua respiração, administrando medicamentos ou colocando as crianças que estão muito fracas para tomar pílulas no soro.

Eu vou de leito em leito examinando os pacientes. Quando afeta crianças, a malária pode se tornar fatal rapidamente e, por isso, é muito importante que prestemos muita atenção aos sintomas. Elas estão respirando suavemente ou demonstram sinais de estresse respiratório? Elas estão perdendo a consciência, estão tendo convulsões? Nesse ponto, muitas das células vermelhas do sangue terão sido destruídas e o cérebro e outros órgãos não estarão recebendo oxigênio suficiente. Nós, então, levamos a criança imediatamente para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e administramos oxigênio e sangue, se necessário. Trabalhamos sem parar, fazendo todo o possível para salvar a vida das crianças.
 
É o momento de pico da malária na RDC. Todos os dias, muitos pacientes são trazidos para o hospital com malária grave.
Felizmente, na maioria dos casos, nós conseguimos ajudá-los a tempo.
 
‘Há dois dias, meu filho ficou com febre. Ele está vomitando‘, me diz uma mãe preocupada. Ela carrega em seus braços seu filho de três anos, que está inconsciente e muito pálido.
 
Nós fazemos um exame de sangue rapidamente. Minha suspeita se confirma: o garoto está com malária. Nós o medicamentos por via venosa e ele recebe transfusão de sangue, já que o parasita da malária ataca suas células vermelhas. Nos o damos oxigênio por meio de uma máscara e o alimentamos com leite terapêutico através de um tubo gástrico. Nós fizemos tudo o que podíamos. Agora, é preciso esperar para ver se seu pequeno corpo pode derrotar a doença. Temo por sua vida.
 
Quando acordei na minha seguinte e fui ao hospital, o garotinho estava acordado. Sua mãe o está alimentando com uma espécie de mingau. Dois dias depois, ele está saudável novamente e nós podemos liberá-lo da internação.
 
Outro dia, duas crianças chegaram ao hospital com malária grave. O garoto de cinco anos tem oscilado entre estado de consciência e inconsciência e a menina de três anos está em coma. Eu temia o pior. Mas meu coração pulou de alegria quando as vi na manhã seguinte: a menina estava acordada, olhando para mim com muito interesse; e o menino estava sentado na cama e até já se alimentava novamente.
 
A estação da malária foi particularmente ruim este ano, e nossa ajuda faz toda a diferença para as famílias: há muitos lugares na RDC onde MSF é a única provedora de cuidados médicos gratuitos. No país, eu e minha equipe oferecemos tratamento essencial para crianças como esse garoto todos os dias. Como sei que serei tia em breve, histórias de sucesso como as desse paciente me tocam ainda mais.”


A malária é uma doença tropical prevalente na África, causada por um parasita que é transmitido pela picada de um mosquito. Os parasitas da malária destróem as células vermelhas que levam o oxigênio por todo o corpo. Quando não tratada, a condição se torna muito grave; os pacientes ficam anêmicos e seus orgãos vitais não recebem oxigênio suficiente. Para tratar a malária, MSF utiliza uma combinação terapêutica à base de artemisina.

Em 2012, as equipes de MSF trataram 1,6 milhão de pacientes com malária por todo o mundo.

Leia mais sobre