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Medo e alegria marcam a volta para casa de sobreviventes de Ebola

06/01/2015

A família de Moses foi duramente atingida pelo Ebola. Quatro pessoas foram infectadas pelo vírus. Seu pai e seu irmão morreram, mas Moses e a irmã sobreviveram. Ele recebeu alta recentemente do centro de tratamento de Ebola da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Bo, Serra Leoa, e voltou ao vilarejo onde mora, acompanhado pelo promotor de saúde de MSF, Esmee de Jong.

 “Nós começamos agora a acompanhar pacientes na volta para casa,” diz Esmee. “Pacientes recuperados às vezes têm uma grande dificuldade de ser aceitos de volta em suas comunidades. É muito importante irmos com eles para explicar às pessoas que eles não são perigosos. Também queremos mostrar que é possível sobreviver ao Ebola, porque não é algo que todos saibam.”

Algumas vezes, até as pessoas envolvidas na resposta ao Ebola ficam surpresas ao descobrir que a recuperação da doença é possível.

“Nós saímos logo pela manhã,” diz Esmee, “e a caminho do pequeno vilarejo onde Moses mora, nós nos deparamos com uma equipe de alerta, que rastreia os casos suspeitos de Ebola. Paramos para conversar com eles e nos perguntaram o que estávamos fazendo tão distantes do centro de tratamento. Quando contamos a eles que estávamos levando um paciente recuperado para casa, eles não puderam acreditar. Um deles olhou para o carro e reconheceu Moses: ‘Eu o levei para você, ele está vivo!’ Eles estavam tão felizes em vê-lo, e boquiabertos em saber que alguém pode se recuperar do Ebola.”

Moses é um professor, um homem importante em sua comunidade, e quando chegou em casa, o vilarejo inteiro veio recebê-lo. “Quando chegamos ao vilarejo, foi uma festa,” diz Esmee. “Todas as mulheres ficaram em volta dele e Moses realmente teve de acalmá-las. Eu fiquei tão impressionado pelo amor e a total aceitação que eles demonstraram – isso é realmente raro.”

Dois dias depois, a irmã de Moses foi declarada curada e Esmee também a acompanhou até sua casa. “Todos estavam cantando e dançando – nós mal conseguíamos sair do carro. Foi um momento lindo,” diz Esmee.

Mas os sobreviventes de Ebola nem sempre recebem uma saudação calorosa. “Infelizmente, não é sempre assim,” diz Esmee. “Recentemente, nós levamos Francis para casa, outro paciente que se recuperou de Ebola. Em seu vilarejo, as pessoas foram muito relutantes em recebê-lo de volta. Ele e seu irmão foram acusados de bruxaria.”

“O que me chamou atenção foi o medo e a negação da doença,” diz Esmee. “Parecia que a negação foi o jeito que eles encontraram de se proteger.”

Esmee e a equipe de promoção de saúde explicaram aos moradores do vilarejo que Francis não estava mais infeccioso. “Falando e mostrando à comunidade que podemos tocá-lo, espero que tenhamos tornado um pouco mais fácil para ele ser aceito de volta. Francis certamente estava feliz por termos ido com ele, e nos agradeceu diversas vezes.”

Conversar com os moradores dos vilarejos também dá oportunidade para a equipe educar as pessoas sobre Ebola: como se proteger da doença e o que fazer caso adoeçam. Os sobreviventes desempenham um importante papel encorajando as pessoas com sintomas do vírus a procurar tratamento e proporcionar a si mesmas maiores chances de ter uma total recuperação, o que também ajuda a evitar que elas contaminem outras pessoas

“Nós queremos mostrar às pessoas que os sobreviventes não são perigosos, e dar esperança a elas mostrando que é possível sobreviver ao Ebola,” diz Esmee.

Os nomes dos pacientes foram alterados.