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Medo da violência esvazia centros de saúde em Kismayo

01/10/2012
Pais buscam seus filhos no centro de nutrição da organização em cidade da Somália

A última criança em tratamento contra desnutrição severa deixou o centro de nutrição de Médicos Sem Fronteiras (MSF) na cidade somali de Kismayo no final da última semana; seus pais têm receio de que os conflitos iminentes tenham impacto na cidade.
 
Nas últimas semanas, a ameaça de conflitos armados interrompeu significativamente a oferta limitada de serviços de saúde, sistemas de encaminhamento e acesso às instalações médicas de Kismayo e redondezas. No centro de saúde onde a organização médica internacional tem tratado crianças severamente desnutridas desde que a crise nutricional afetou o Centro-Sul da Somália, em 2011, o medo dos conflitos causou uma redução dramática no número de pacientes, à medida que os pais das crianças desejavam fugir da região ou reencontrar suas famílias.
 
No final da última semana, oito das nove crianças restantes foram liberadas pela equipe médica de MSF a pedido de seus pais. Suprimentos e instruções foram dados às famílias na tentativa de que o tratamento tenha continuidade em casa. A equipe esperava continuar a tratar um pequeno garoto considerado fraco demais para ser liberado, mas ele também fugiu da região com seus pais.
 
MSF inaugurou o centro de nutrição intensivo para crianças consideradas doentes demais para serem tratadas em programas ambulatoriais durante a crise nutricional de 2011, em resposta às altas taxas de desnutrição. “Desde então, as equipes de MSF têm também respondido a surtos de malária e diarreia aquosa – indicadores claros do nível de vulnerabilidade da população e das necessidades de saúde”, diz David Querol, coordenador de projeto de MSF em Nairóbi.
 
A interrupção das atividades deixa as mais de 650 crianças em tratamento no programa nutricional ambulatorial em situação incerta. Apesar dos esforços das últimas semanas para fornecer a elas um estoque de alimentos terapêuticos suplementares, o destino das crianças ainda preocupa MSF.
 
“Kismayo oferece serviços de saúde muito limitados à população e temos receio de que a disseminação da violência possa reduzir ainda mais essa oferta”, continua David, “Por exemplo, não podemos mais encaminhar pacientes para o hospital mais próximo de MSF, em Marere.”
 
Nesse contexto, MSF pede às partes beligerantes que respeitem as já frágeis estruturas de saúde em Kismayo e nas redondezas e garantam que as equipes dessas instalações possam prestar a assistência necessária à população. MSF também relembra às partes envolvidas de sua obrigação de permitir o acesso a cuidados de saúde para todos os que precisem de atendimento médico de emergência.
 
As atividades de MSF estão voltadas apenas para as necessidades médicas dos pacientes. A organização trabalha para assegurar que a assistência seja prestada de forma independente de facções de guerra e neutra, sem levar em consideração etnia, clã, religião ou convicções políticas.
 
MSF atua na Somália desde 1991. No último ano, as equipes realizaram 22 projetos em diferentes regiões do país e em campos de refugiados para somalis na Etiópia e no Quênia. Durante 2011, MSF tratou mais de 78.500 pacientes com desnutrição severa e mais de 30 mil com desnutrição moderada; mais de 7.200 casos de sarampo foram tratados e 255 mil pessoas foram vacinadas contra a doença. MSF assistiu mais de seis mil partos e realizou mais de 537.500 consultas no mesmo período.

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