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Médicos Sem Fronteiras leva ajuda humanitária a haitianos em Tabatinga

10/01/2012
Organização distribui itens de higiene e limpeza e pede às autoridades brasileiras que garantam assistência a essa população

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está oferecendo ajuda aos requerentes de asilo haitianos que chegaram a Tabatinga (AM). Desde novembro, equipes de MSF vêm acompanhando a situação dessas pessoas nesse pequeno município, localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Desde o dia 20 de dezembro, a organização já distribuiu mais de 1300 kits de higiene pessoal além de kits de limpeza.

Os haitianos começaram a chegar a Tabatinga em março de 2010, fugindo das dificuldades de um país devastado por um terremoto. Hoje, estima-se que mais de 1200 requerentes de asilo haitianos estejam em Tabatinga. Mais de dois terços declaram ter sido diretamente afetados pelo terremoto e dizem ter vindo ao Brasil em busca de uma chance de ajudar suas famílias que ficaram no Haiti. “Antes do terremoto, a situação no Haiti já era difícil. Agora, não há nada, não há nenhuma oportunidade. Mas essa espera em Tabatinga está ainda mais difícil”, diz Olga, de 32 anos, dentro do quartinho que divide com mais quatro haitianos.

Enquanto aguardam uma entrevista com a polícia federal em Manaus, os haitianos não têm autorização para trabalhar ou para sair de Tabatinga. Muitos, tendo gasto todas as economias da família na viagem, estão vivendo em condições extremamente precárias. "Visitei uma casa onde 40 pessoas dividem uma única latrina. Em outra residência, há vários quartinhos onde cinco pessoas se amontoam, com pouca ventilação ou luz. Fica difícil manter condições mínimas de higiene nessa situação”, diz Renata de Oliveira Silva, coordenadora do projeto de Médicos Sem Fronteiras em Tabatinga. “Nossa preocupação é que as condições em que vivem prejudiquem sua saúde física e mental, gerando problemas como infecções gastrointestinais ou distúrbios psicológicos", disse Renata.

Sem nenhuma assistência das autoridades, os haitianos requerentes de asilo em Tabatinga contam apenas com a solidariedade local e ajuda de algumas organizações da sociedade civil. “O Governo Federal precisa se responsabilizar pela assistência a essas pessoas enquanto elas são obrigadas a esperar em Tabatinga, sem poder trabalhar. E as autoridades locais e estaduais também têm que cumprir o seu papel, se mobilizando para encontrar uma solução para a situação dos haitianos em Tabatinga”, diz Tyler Fainstat, diretor executivo de Médicos Sem Fronteiras no Brasil.

Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária que leva ajuda médica emergencial a vítimas de conflitos armados, epidemias, desastres naturais e exclusão do acesso à saúde. Na ocasião do terremoto do Haiti, a organização montou a maior operação de sua história, na qual atendeu mais de 358 mil pessoas, realizou cerca de 16 mil cirurgias e auxiliou em 15 mil partos. Desde o início do surto de cólera no Haiti, em outubro de 2010, até outubro de 2011, MSF tratou mais de 160 mil pacientes com a doença, o que corresponde a 35% do número total de casos registrados no país.