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Médicos Sem Fronteiras começa vacinação contra Ebola

29/05/2018
Imunização foca profissionais de saúde e pessoas que tiveram contato com pacientes na RDC
Médicos Sem Fronteiras começa vacinação contra Ebola

Foto: Louise Annaud/MSF

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) iniciou ontem, 28 de maio, a vacinação de profissionais que lidam com pacientes com Ebola em Bikoro, província de Equateur, na República Democrática do Congo (RDC). A região de Bikoro é uma das localidades da RDC que registraram casos de Ebola e onde MSF tem trabalhado com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) nas últimas semanas. Essa vacinação em escala limitada também será oferecida às pessoas com as quais os pacientes tiveram contato.

A vacina contra o Ebola (rVSVDG-ZEBOV-GP) está sendo usada como parte da estratégia geral para controlar o surto da doença. Essa vacina ainda não foi licenciada e está sendo implementada por meio de um protocolo de estudo que foi aceito pelas autoridades nacionais e pelo Comitê de Revisão Ética em Kinshasa, bem como pelo Comitê de Ética de MSF. O protocolo define para quem, quando e como a vacina deve ser administrada.

Os participantes recebem informações sobre a vacina antes de consentir e serão cuidadosamente monitorados durante um período de tempo. A participação é voluntária e a vacinação, gratuita.

Vacinação em "anel"

A vacinação será realizada usando uma abordagem conhecida como "anel". Isso envolve a identificação de pacientes com Ebola recém-diagnosticados e confirmados em laboratório e a localização de pessoas com as quais eles tiveram contato. Essas pessoas e seus contatos - muitas vezes membros da família, vizinhos, colegas e amigos do paciente - constituirão o "anel". Também será oferecida a possibilidade de vacinação para os profissionais de saúde que trabalham na área afetada pelo vírus, já que eles estão em maior risco de exposição e, portanto, de desenvolvimento da doença.

A vacinação em anel garante a criação de uma zona de proteção por meio da vacinação de pessoas que estão no “anel” - ou anel de proteção -, evitando a propagação da infecção.

Em colaboração com o Ministério da Saúde, a OMS e outras agências, MSF e seu braço de pesquisa epidemiológica Epicenter estiveram envolvidos em testes de vacinas em Conakry, na Guiné, durante o final do surto de Ebola em 2015.

“Com base nos resultados desses testes, estamos confiantes no uso da vacina para esse surto atual. Como ela ainda não foi licenciada, estaremos monitorando de perto a vacinação. Os resultados do estudo sugerem que a vacina apresentará um benefício real para as pessoas com alto risco de contrair Ebola, protegendo-as contra a infecção. No entanto, a vacinação continua sendo apenas uma ferramenta adicional na luta contra a doença. Identificar pacientes e pessoas com as quais eles tiveram contato é o primeiro passo”, diz Micaela Serafini, diretora médica de MSF em Genebra.

As pessoas vacinadas continuam seguindo os mesmos protocolos de controle de infecção de antes, e os profissionais de saúde que trabalham no surto de Ebola continuarão usando equipamentos de proteção. Os pilares de uma intervenção contra o Ebola devem continuar sendo seguidos para conter a propagação. São eles a oferta de cuidados médicos e psicológicos, assim como o isolamento de pessoas doentes; atividades de divulgação, incluindo rastreamento e acompanhamento de contatos; informar sobre a doença, como evitá-la e onde procurar atendimento; apoio aos cuidados de saúde existentes; e adaptação temporária de comportamentos culturais, como ritos fúnebres.

Equipes de MSF no local

O surto atual foi declarado em 8 de maio, no noroeste do país. Até 28 de maio de 2018, havia 35 casos confirmados de Ebola, resultando em 12 mortes, de acordo com dados do Ministério da Saúde da RDC. Equipes de MSF estão trabalhando em quatro lugares para cuidar dos pacientes e conter a epidemia.

As equipes de MSF estão atualmente nas áreas de Mbandaka e Bikoro, onde implementaram dois Centros de Tratamento de Ebola (CTE) com 12 e 20 leitos cada. As equipes também estão rastreando as pessoas que estiveram em contato direto ou indireto com os casos confirmados de Ebola. Em paralelo, elas estão tentando conscientizar as comunidades para, entre outras coisas, limitar a exposição e encorajar práticas seguras de sepultamento.

Há também equipes de MSF trabalhando nas áreas remotas de Itipo e Iboko. Um centro de atendimento temporário com 10 leitos foi instalado em Itipo, onde as pessoas suspeitas de terem contraído o vírus estão isoladas e recebem cuidados enquanto aguardam o diagnóstico laboratorial. Se os testes derem positivo para o vírus, eles serão transferidos para o CTE de Bikoro. Em Iboko, uma área de isolamento foi instalada no hospital e a equipe está construindo um novo CTE.

Alguns dos mais experientes profissionais em surtos de Ebola, incluindo profissionais médicos, especialistas em controle de infecção e logística, estão na província de Equateur.
 

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