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Maternidade em Khost oferece cuidados de qualidade para mulheres e bebês

03/09/2013
Estabelecimento de MSF em província do Afeganistão é alternativa para comunidade afetada por mais de uma década de conflito

Zukia* tem 21 anos e mora na província afegã de Khost, que faz fronteira com as regiões tribais do Paquistão. Seu marido foi morto durante um bombardeio em Cabul, quando ela estava no primeiro mês de gestação, deixando-a sozinha com outros dois filhos. Ela está, atualmente, esperando seu terceiro filho. “Tenho medo de dar à luz em casa. Algumas mulheres do meu vilarejo fazem isso, mas se a placenta não for expelida, elas correm o risco de morrer.”


As necessidades médicas em Khost são enormes e a taxa de mortalidade materna é particularmente alta. A região onde Zukia mora tem apenas um número reduzido de estabelecimentos médicos. Próximo de sua casa, há duas pequenas clínicas privadas, mas ela não confia muito nelas. Ela deu à luz aos seus dois primeiros filhos em uma clínica privada, que fica a muitas horas de distância por uma estrada, na qual ela teve de pagar entre 4 e 5 mil rúpias pelo parto. Para Zukia, que está sem seu marido, esta é uma grande quantia; desta vez, ela vai procurar a maternidade de MSF em Khost, que oferece cuidados gratuitos para mulheres e recém-nascidos.


Khost tem um hospital público para serviços gerais localizado fora da cidade, mas o acesso até ele pode ser dificultado pela distância e custos de transporte. Além disso, as mulheres das comunidades mais tradicionais preferem não ir até lá porque a equipe cirúrgica é composta por homens. Em março de 2012, MSF inaugurou uma instalação na região central com equipes médicas exclusivamente formadas de mulheres.


Atualmente, a província de Khost é uma das regiões mais afetadas pelo conflito que dura mais de uma década. As estradas que pacientes como Zukia devem pegar para chegar a uma instalação de saúde não são seguras. “Fui à maternidade de MSF durante o dia porque é muito perigoso viajar à noite”, explica Zukia. “Na região onde moro, há muitos confrontos. Escutamos tiros a noite toda. Moramos próximo da fronteira com o Paquistão. As pessoas são tão pobres que não têm alternativa que não viajar por horas ou mesmo dias até um centro como este aqui, onde não há tratamento de qualidade gratuito em segurança.” Mas, por vezes, a longa viagem pode causar complicações fatais para a mãe e para a criança.


Por isso, MSF concentra esforços nos cuidados voltados para gestantes e recém-nascidos, com capacidade cirúrgica para atender partos com complicações. O objetivo é elevar o nível de cuidados de saúde oferecidos na província, sem duplicar os serviços já existentes. A equipe assiste, atualmente, 1 mil partos por mês no hospital de 56 leitos, dos quais cerca de 20% correspondem a partos com complicações.


Há uma demanda significativa por assistência médico-humanitária de qualidade e imparcial no Afeganistão. Em províncias como Khost, diretamente afetadas pelo conflito, a insegurança reduz a habilidade de organizações humanitárias de desenvolverem adequadamente seu trabalho.


A maternidade de Khost enfrentou problemas no início. Em abril de 2012, menos de seis semanas após sua abertura, MSF teve de suspender as atividades após uma explosão dentro do complexo. A explosão feriu sete pessoas e o hospital ficou fechado por oito meses. MSF tomou seu tempo para reavaliar a situação e fortalecer sua rede para garantir mais suporte por parte da comunidade e dos líderes políticos e religiosos da região.


Desde a reabertura da maternidade de MSF em Khost, em 29 de dezembro de 2012, as equipes realizaram mais de 5.500 partos. Zukia acaba de entrar em trabalho de parto. “Posso sentir as contrações. Já faz quatro dias que elas começaram, e está sendo cada vez mais difícil de suportá-las. Eu pedi à médica e às parteiras que façam uma cesárea porque está sendo muito difícil suportar a dor. Tenho medo das complicações, mas a médica me disse que meu parto será tranquilo”, ela diz. Algumas horas depois, Zukia deu à luz a seu bebê e não houve complicações.
 
 
*O nome foi alterado para proteger a privacidade da paciente

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