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Marrocos : saúde de migrantes expulsos pela polícia marroquina preocupa MSF

05/10/2010

Médicos Sem Fronteiras (MSF) está extremamente preocupada com a deterioração da situação médica e humanitária dos migrantes subsaarianos no Marrocos, após as invasões e expulsões em massa realizadas recentemente pela polícia marroquina. Centenas de migrantes, incluindo mulheres e crianças, foram deportados para uma área na fronteira entre Marrocos e Argélia e abandonados  de noite, sem comida e água.

A operação policial aconteceu entre os dias 19 de agosto e 10 de setembro em várias cidades do Marrocos, como Oujda, Al-Hoceima, Nador, Tangiers, Rabat, Casablanca e Fez. Em muitos ataques as forças policiais usaram escavadeiras para destruír as casas e as barracas dos migrantes. Em Nador, até helicópteros foram usados na ação policial.

Estima-se que de 600 a 700 mil migrantes foram presos durante as operações e levados para a fronteira com a Argélia. Entre os detidos, mulheres, algumas grávidas, crianças e pessoas com problemas de saúde e machucadas direta ou indiretamente, durante a ação policial. Abandonada no meio da noite, essa população corria o risco de ser atacada e roubada pelos bandidos e traficantes que atuam na área. Aqueles que conseguiram chegar à cidade de Oujda estão completamente desamparados, sem dinheiro, abrigo ou pertences pessoais.

“Nossa equipe tem testemunhado o impacto direto dessa expulsão em massa na saúde mental dos migrantes”, diz Jorge Martin, chefe da missão de MSF no Marrocos. "Nós atendemos uma mulher que tinha tido bebê apenas seis dias antes. Ela foi presa pela polícia e passou cinco dias em uma cela com seu filho recém-nascido. Depois, foi levada de volta para a fronteira. Ela conseguiu voltar a Oujda, mas agora está sofrendo da síndrome gastrointestinal aguda."

Durante as últimas semanas, a equipe de MSF tem notado um alarmante crescimento no número de pacientes com problemas médicos provocados pela violência. Dos 186 pacientes que receberam cuidados médicos de MSF, 103 tiveram lesões e danos provocados – direta ou indiretamente – pela violência durante as prisões.

As duras condições de vida e a falta de abrigo adequado também têm contribuído para o aumento dos problemas de saúde. Quase metade dos migrantes que procuraram atendimento das equipes de MSF apresentavam sintomas médicos relacionados às condições difíceis e insalubres em que estão vivendo. Do total de pacientes atendidos,  18% apresentavam infecções de pele, 10% tiveram infecções respiratórias e 11% estavam com problemas digestivos.

"A intensificação de medidas restritivas para controlar a migração no Marrocos tem impacto direto sobre a saúde e a dignidade dos migrantes e refugiados", diz Jorge Martins. MSF apela às autoridades marroquinas que obedeçam as legislações nacionais e internacionais. As autoridades devem respeitar a dignidade e integridade dos migrantes e evitar expor essas pessoas a uma situação de maior vulnerabilidade e insegurança. Conforme estipulado na lei marroquina, mulheres grávidas, crianças e outros grupos vulneráveis de imigrantes não devem ser expulsos para a fronteira.

MSF trabalha no Marrocos desde 2000, realizando projetos de saúde em Tânger, Casablanca, Rabat e Oujda, oferecendo aos migrantes da África Subsaariana assistência médica e humanitária, e defendendo acesso aos cuidados de saúde e respeito à dignidade dos migrantes. Atualmente, MSF está executando um projeto em Oujda de assistência médica e psicológica para migrantes e refugiados.

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