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Mar Mediterrâneo: depoimento de imigrante resgatado por MSF e MOAS

08/05/2015
Makone More foi um dos 369 sobreviventes resgatados durante primeira operação do navio MY Phoenix

Foto: Ikram N'gadi

Durante sua primeira operação no Mar Mediterrâneo, o navio MY Phoenix, operado pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em parceria com a organização Migrant Offshore Aid Station (MOAS, na sigla em inglês), resgatou 369 pessoas que deixaram a Líbia na tentativa de chegar à Europa. Uma delas foi o eritreu Makone Mare, que conta sua história:

“Eu vim da Eritreia, passando pela Etiópia, Sudão e Líbia. Eu sou eritreu, gosto do meu país, mas tive de ir embora. Eu queria uma vida nova.

A Líbia não é boa. Sua vida não está a salvo. Não há nenhuma proteção, não há acampamentos de refugiados nem Cruz Vermelha. Os líbios te levam quando você cruza a fronteira e tiram tudo do seu bolso. Sem nenhuma razão, eles te colocam em penitenciárias por meses. A vida é muito difícil na Líbia, eu não fazia ideia de como era estar lá. Como muitas das pessoas aqui, eu fui para a Líbia porque queria ir à Europa, mas, se eu soubesse antes como são as coisas lá, eu não teria ido. Eu fui preso sem ter cometido crime algum e ao longo do tempo fui transferido para diferentes prisões. Já que eles tiraram tudo de mim, minha família pagou os U$ 2.000 pelo meu lugar no barco, para me dar uma chance.

Não há conforto no barco, mas você não tem escolha, não tem alternativa. Eu queria um novo futuro. O barco em que fui colocado estava muito lotado. Eu sou um ser humano, estava com medo porque só tenho uma vida. Essa viagem marítima é muito difícil. Tem crianças e mulheres grávidas que viajam sozinhas. Nós tentamos ajudá-las.

Tenho sorte por ter sido salvo. Eu nasci de novo. Eu nasci de novo.”

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