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Mapeando as necessidades na resposta de emergência ao ciclone Idai

02/04/2019
MSF está usando novas tecnologias para produzir mapas de alta qualidade das áreas mais atingidas pelo ciclone
Mapeando as necessidades na resposta de emergência ao ciclone Idai

Foto: MSF/Pablo Garrigos

Logo após o ciclone Idai chegar ao sul da África, a organização médica internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) enviou quatro especialistas em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para a região e mobilizou milhares de voluntários em todo o mundo para produzir mapas de alta qualidade das áreas mais atingidas para ajudar as equipes de emergência a montar uma resposta eficaz.

O ciclone Idai atingiu Moçambique e Zimbábue em meados de março, inundando vastas regiões, deixando centenas de milhares de pessoas desabrigadas e destruindo construções, plantações e infraestruturas.

MSF respondeu ao desastre natural enviando equipes de emergência e suprimentos médicos para o sul da África. Ao mesmo tempo, quatro especialistas em SIG – um dos quais já estava no Zimbábue – também foram enviados para fornecer mapas detalhados e de diferentes níveis da região. Esta é a maior resposta utilizando SIG desde a epidemia de Ebola em 2014 na África Ocidental.

Os serviços SIG podem combinar múltiplas camadas de informação em um único mapa, ajudando os atores em campo a entender a escala da emergência, planejar a logística, melhorar a vigilância epidemiológica e coordenar a resposta com outras organizações.

“Em um desastre natural desta dimensão, as necessidades são mais agudas no início da crise”, diz Audrey Lessard-Fontaine, coordenador da Unidade de SIG de MSF. “No início, a situação está em mudança constante - seja o acesso às estradas, os níveis de água ou a avaliação de danos. Precisamos dessas informações para planejar como chegaremos à população afetada.”

As equipes de MSF estão cada vez mais conscientes da importância dos SIG para ajudá-los a planejar operações e apoiar a tomada de decisões em emergências, e precisam de mais suporte operacional do que nunca.

"Atualmente, a reação das equipes que estão em um cenário de emergência é praticamente imediata em pedir o apoio dos especialistas em SIG para ajudar na resposta epidemiológica, mapeando os casos para ver de onde os pacientes vêm", diz Lessard-Fontaine. “Eles também precisam do apoio dos SIG para avaliações sobre as condições de água e saneamento e para mapear onde estão os pontos de água e as latrinas.”

Um elemento-chave da resposta dos SIG são os mapas de base, que mostram construções, canais e rodovias da região. Os especialistas em SIG precisam desses mapas básicos para fornecer análises de alta qualidade sobre as áreas afetadas para uso dos logísticos e epidemiologistas de MSF.

Surpreendentemente, esses mapas de base não existem em muitas das regiões onde MSF trabalha, que são frequentemente remotas, propensas a desastres ou que abrigam algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo. A falta de mapas era um grande desafio, até que uma solução simples foi encontrada, conhecida como o projeto Missing Maps. Com a ajuda do OpenStreetMap – um mapa colaborativo – milhares de voluntários em todo o mundo digitalizam imagens de satélite e criam mapas das áreas mais vulneráveis do mundo para uso das organizações de ajuda humanitária.

O projeto Missing Maps foi criado em 2014 por várias organizações humanitárias, incluindo MSF. Com a chegada do ciclone Idai, voluntários entraram rapidamente em ação e já mapearam mais de 200.000 construções e quase 17.000 km de estradas nas áreas afetadas.

O Zimbábue é um país para o qual existem poucos mapas de base detalhados. O especialista de MSF em SIG Last Prosper Mufoya fornece suporte para as operações da organização no Zimbábue. Quando o ciclone atingiu o país, Mufoya imediatamente ativou a comunidade do Missing Maps para criar mapas da área mais atingida, a cidade de Chimanimani. “Chimanimani ficou totalmente isolada do resto do mundo, já que todas as estradas que levam até lá foram danificadas e a maioria das pontes foi destruída pela água”, diz Mufoya.

Usando imagens de satélite, os voluntários se concentraram em capturar estradas, construções e sistemas de drenagem de água, já que muito pouco desses dados estavam disponíveis no OpenStreetMap. “Voluntários de todos os cantos da comunidade do Missing Maps, incluindo nossa equipe do Zimbábue, trabalharam incansavelmente para contribuir com a resposta ao ciclone”, diz Mufoya.

Os mapas de base de Moçambique, Zimbábue e também do Malaui – que sofreu fortes inundações causadas pelos sistemas meteorológicos associados ao ciclone –, produzidos pelos voluntários, foram distribuídos amplamente a todas as organizações envolvidas nos esforços de emergência, ajudando-as a obter uma imagem clara da situação em campo e a planejar uma resposta rápida e eficaz.

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