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Mais de um milhão de crianças vacinadas contra o sarampo na República Democrática do Congo

28/07/2017
MSF faz apelo para que a resposta às epidemias da doença no país seja ampliada
Mais de um milhão de crianças vacinadas contra o sarampo na República Democrática do Congo

Foto: Candida Lobes/MSF

À medida que o sarampo se alastra por toda a República Democrática do Congo (RDC), mais de um milhão de crianças foram vacinadas contra a doença em uma campanha de nove meses realizada pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em apoio ao Ministério da Saúde. Desde novembro de 2016, equipes de MSF também trataram mais de 41 mil crianças nas províncias de Maniema, Lomami, Tanganyika, Ituri, Kivu do Sul e Equateur.
O sarampo é extremamente contagioso e é disseminado, sobretudo, por meio de espirro e tosse. A doença afeta principalmente crianças, especialmente aquelas com menos de 5 anos de idade. Para as que sofrem complicações e não conseguem receber tratamento, pode ser mortal.

Para que a vacina seja eficaz, 95% das crianças com idade entre seis meses e 15 anos de idade precisam ser imunizadas. Em um país tão grande como a RDC, onde as estradas são muitas vezes precárias ou inexistentes, e a viagem pode ser dificultada pela insegurança, existem restrições logísticas consideráveis para chegar a crianças em determinadas regiões. Equipes de MSF viajaram de moto e a pé em trilhas de florestas estreitas para chegar às áreas mais remotas.

“Minha equipe e eu queríamos chegar a uma área específica da província de Equateur, a cerca de 20 quilômetros de Bolomba”, diz Faustin Igulu, gestor de promoção de saúde da equipe de resposta de emergência de MSF. “Como não há estradas, usamos motos. Tínhamos de carregar as motos, além das caixas frágeis contendo as vacinas e todo o resto do equipamento que precisávamos, para atravessar os rios sobre de tábuas de madeira. Quando as trilhas se tornaram muito estreitas, largamos as motos e atravessamos a floresta a pé por horas.”

Apesar das dificuldades, as equipes de MSF estão determinadas a chegar às áreas mais remotas para oferecer cuidados a crianças que são particularmente vulneráveis ao sarampo, uma vez que há escassez de tratamentos disponíveis e falta de recursos financeiros por parte da população.

“Todos esses esforços são necessários”, diz Igulu. “Longas distâncias para chegar às instalações de saúde, falta de recursos econômicos para o tratamento, uso de medicamentos tradicionais - todos esses fatores põem em perigo a saúde das crianças nessas áreas. É por isso que fazemos tudo o que podemos para alcançar os vilarejos e assentamentos mais remotos, onde as crianças não teriam acesso a cuidados de saúde ou vacinas de outra forma”.
As crianças em áreas remotas que sofrem de sarampo com complicações correm o risco de não serem tratadas ou de iniciarem tratamento tarde demais, colocando suas vidas em perigo. “Muitas crianças das quais assistimos chegaram em estado grave ao hospital por causa das dificuldades de acesso aos serviços de saúde”, diz Igulu.

Apesar do número de crianças já vacinadas, MSF continua concentrando esforços para conter a epidemia de sarampo. Atualmente, as equipes estão atuando nas províncias de Tshopo e Kivu do Sul.
MSF faz um apelo ao Ministério da Saúde, a organizações internacionais e a doadores para que ampliem drasticamente e de forma rápida sua resposta aos múltiplos surtos de sarampo que ocorrem regularmente em todo o país.