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Mais de 1.500 solicitantes de asilo em condições precárias na fronteira EUA-México

23/10/2019
MSF exige que o governo dos EUA e do México parem de negligenciar a vida de migrantes
MSF exige que o governo dos EUA e do México parem de negligenciar a vida de migrantes

MSF/Arlette Blanco

Médicos Sem Fronteiras (MSF) ampliou suas atividades para responder às necessidades médicas urgentes de mais de 1.500 pessoas retidas no perigoso estado de Tamaulipas, no México, enquanto aguardam o processamento de suas solicitações de asilo.

O Protocolo de Proteção à Migração (MPP), que exige desde janeiro de 2019 que as pessoas permaneçam no México durante o procedimento de asilo, deixou pessoas vulneráveis ​​esperando em um campo improvisado na ponte internacional que liga a violenta cidade fronteiriça de Matamoros, no estado de Tamaulipas, no México, com Brownsville Texas. Embora latrinas e chuveiros tenham sido instalados no campo, as equipes de MSF testemunharam as condições insalubres nas quais as pessoas estão vivendo. Por isso, estão aumentando as atividades médicas humanitárias de acordo com as necessidades.

"Temos uma equipe com um médico, psicólogos e assistentes sociais que tratam questões como ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático – consequências da desesperança produzida pela incerteza de não saber o que vai acontecer com o futuro ou a família", disse Anneli Droste, coordenadora do projeto de MSF na fronteira norte do México.

Nas últimas três semanas, MSF também conduziu 178 consultas médicas para doenças, incluindo diarreia, hipertensão, diabetes, condições psiquiátricas e asma. A maioria dos pacientes apresentou condições respiratórias e de pele e tecidos moles, relacionadas à superlotação e insalubridade no campo. Dessas consultas, 48% eram para mulheres e 52% eram para homens. Mais da metade tinha menos de 15 anos (58%).

Droste contou que falou recentemente com um garoto de 15 anos de idade que vive no campo com sua família enquanto eles esperam por uma resolução de asilo. "Ele me disse que eles não querem se separar do grupo de solicitantes de asilo, porque temem agressão ou sequestro", disse Droste. "Ficar juntos é uma das medidas que eles tomaram para se sentir, de alguma forma, protegidos".

MSF continua seriamente preocupada com a situação humanitária enfrentada pelos solicitantes de asilo na fronteira norte do México e exige, mais uma vez, que os governos mexicano e norte-americano priorizem a vida dessas pessoas e seu bem-estar.

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