Liderança feminina na cadeia de suprimentos

Por Mina Kanashiro, líder de Suprimentos e Sistemas de Informação de MSF em Bruxelas; a primeira brasileira a assumir a frente de uma central de distribuição na organização.

“Como você se sente trabalhando em um ambiente majoritariamente masculino?” Ao longo da minha trajetória profissional, já ouvi esta pergunta algumas vezes. Por muitos anos, a cadeia de suprimentos era predominantemente masculina. Na época, não havia compreendido o cerne desta questão, embora na vida pessoal tenha passado por situações discriminatórias por ser mulher.

Sabemos que, infelizmente, há muitos ambientes onde mulheres incrivelmente capacitadas não têm a oportunidade de mostrar o seu brilho. Portanto, abordo este tema com bastante cuidado e carinho, pois as percepções e as compreensões são infinitas, sobretudo em tempos em que muitos paradigmas estão sendo questionados e desconstruídos.

Em meus 15 anos de carreira profissional, atuei em diversas áreas dentro da cadeia de suprimentos – entre Médicos Sem Fronteiras (MSF) e o mundo corporativo. Tive a oportunidade de trabalhar com colegas incríveis e excelentes líderes, sempre com um equilíbrio adequado entre homens e mulheres.

• Assista: Mina Kanashiro explica o trabalho na área de logística de suprimentos em MSF
• Veja também: como é o Centro de Distribuição Logística de MSF em Bruxelas

Em Médicos Sem Fronteiras, tive a oportunidade de participar e facilitar grupos de trabalho em áreas que tradicionalmente são dominadas pelo público masculino: a engenharia biomédica, responsável pela qualidade dos equipamentos hospitalares, e a engenharia automotiva, responsável pelas customizações dos veículos – os tão conhecidos 4×4 – utilizados pela organização.

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Em minha última experiência, assumi a liderança de uma equipe fantástica de engenheiros, médicos e farmacêuticos, cuja missão era garantir a qualidade dos produtos médicos e não médicos às nossas operações. Cada colega vinha de um país diferente. Foi um dos maiores desafios sobre interações com as lideranças de outras culturas. Era a primeira brasileira a assumir este posto em uma central de distribuição. As minhas raízes de Okinawa (uma das ilhas do Japão) junto com o jeito acolhedor brasileiro contrastava, às vezes, com o distanciamento comum em algumas culturas, e foi preciso muita adaptação na forma de comunicar.

Essas diferenças levaram algum tempo para evoluir de uma fase de divergências para um modelo mais cooperativo. Compreender que, independentemente do gênero, origem ou outros aspectos, cada profissional traz consigo sua própria perspectiva e abordagem únicas. Focar em como aproveitar essas diferenças como uma força para alcançar objetivos é um grande avanço em direção à colaboração em grupo.

É possível criar um ambiente propício para acolher, promover e empoderar talentos.”

– Mina Kanashiro, líder de Suprimentos e Sistemas de Informação de MSF em Bruxelas

Acreditar nos próprios valores foi fundamental para lidar com oposições e trabalhar em conjunto, pois as virtudes humanas são universais e atemporais: respeito, comprometimento, ética e foco são alguns exemplos. Em muitas ocasiões, precisei e preciso adaptar a minha abordagem, por vezes sendo mais acolhedora, e por outras sendo mais assertiva, e, também, adotando uma candura objetiva, pois acredito que é possível ser direta de uma maneira gentil.

Como seres humanos, temos recursos valiosos para superar as adversidades de nossas vidas e contribuir através de nossa personalidade, inclusive em um ambiente profissional. Através dessas perspectivas, é possível criar um ambiente propício para acolher, promover e empoderar talentos. Quando temos esta oportunidade, não apenas enriquecemos nossa força de trabalho com diversas vozes, como também avançamos para uma sociedade cada vez mais inclusiva.

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