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Líbia: o desafio de prestar assistência médica

02/07/2015
Violência dos confrontos está impedindo que a população tenha acesso a cuidados de saúde

Foto: Sebastien Van Malleghem

As tensões estão se agravando no leste da Líbia e, por consequência, as necessidades médicas estão aumentando. Confrontos na região se expandiram para além da cidade de Benghazi, que tem sido cenário de confrontos armados por mais de um ano, até Derna, a fortaleza do Estado Islâmico (EI) na região, onde combates se iniciaram há três semanas. Essa violência vem abalando o sistema de saúde e está desencadeando o deslocamento da população, em particular, em Benghazi.

Uma equipe da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está em Al-Bayda, no leste da Líbia, há dois meses. Em meados de junho, a equipe começou a prestar suporte a hospitais. Benghazi tem sete grandes hospitais, mas apenas três ainda estão funcionando. MSF distribuiu 100 kits cirúrgicos para o tratamento de pacientes feridos do hospital Al-Jalah, um desses três. Após os confrontos, esse hospital tratou muitos dos feridos, o que esgotou seu estoque de suprimentos. MSF também doou medicamentos para um hospital psiquiátrico em Benghazi e para o hospital geral Al-Marj, localizado entre Benghazi e Al-Bayda.

“Tivemos vários problemas com a entrega de todos esses medicamentos e suprimentos médicos”, diz a dra. Anne-Marie Pegg, coordenadora-geral de MSF na Líbia. “Foi um desafio encontrar uma aeronave que transportasse nossas cargas para a Líbia. E o transporte terrestre é muito perigoso por causa da falta de segurança nos lados leste e oeste.”

Mais de quatro anos após a queda de Muamar Gaddafi, a Líbia foi dividida em dois campos, cada qual com seu próprio governo. Um está localizado a oeste, em Trípoli, e outro a leste, em Tobruk. O país também está marcado por muitas linhas que o dividem. Confrontos armados se intensificaram recentemente entre as forças do EI ao redor de Derna (seu reduto no leste), facções islâmicas e o exército do governo de Tobruk.

Para garantir que os pacientes feridos pudessem obter tratamento na região de Derna, uma equipe de MSF atuou para aumentar a capacidade de tratamento de emergência e hospitalização no centro de saúde de Al-Qubbah, localizado entre Derna e Al-Bayda e próximo à linha de frente de batalha. “O centro-cirúrgico está sendo reconstruído e uma equipe cirúrgica será enviada em breve para trabalhar na unidade de hospitalização”, conta a dra. Anne-Marie Pegg.

Combates na região também levaram pessoas deslocadas a se refugiarem em Al-Qubbah, cuja população cresceu de 60 para 100 mil pessoas. Por conta disso, a pressão está aumentando no sistema de saúde, que já fora enfraquecido pela divisão do país. No leste, hospitais e clínicas públicas dependem do Ministério da Saúde do governo de Tobruk, que foi estabilizado há apenas um ano e já carece de recursos.

MSF atuou diversas vezes na Líbia, primeiramente em 2011 e 2012. Em Misrata, nossas equipes trataram pacientes feridos e ofereceram cuidados de saúde mental. Elas também apoiaram hospitais em Trípoli, Benghazi e outras cidades. Em 2013, MSF prestou assistência a pessoas com problemas físicos e de saúde mental relacionados com o conflito, oferecendo tratamento médico e apoio psicológico.

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