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Kusisa, na RDC: um hospital no meio da floresta construído com e para a comunidade

10/09/2021
Três anos após a abertura de um hospital na área de Ziralo, na província de Kivu do Sul, e uma melhora nos indicadores de saúde, MSF encerrou seu apoio ao Ministério da Saúde na região.
Kusisa, na RDC: um hospital no meio da floresta construído com e para a comunidade

Foto: Paul Duke/MSF

Antes da inauguração do hospital, se as pessoas da região de Ziralo (zona sanitária de Bunyakiri) quisessem ser atendidas por um médico, tinham de caminhar várias horas pela floresta e pelos riachos que cobrem esta parte da província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo (RDC). A insegurança na área representava um perigo adicional.

“Quando começamos o projeto, foi muito encorajador ver como as pessoas se mobilizaram para abrir uma passagem quando souberam que a ajuda humanitária estava chegando”, disse Germain, logístico de MSF. “Mais tarde, as comunidades continuaram a responder quando tivemos que construir ou consertar um prédio”.

“Graças a esse apoio, a estrada de Cinono até a vila de Kusisa foi desobstruída, deixando espaço para motocicletas trazerem material de construção e transportarem nossas equipes que chegaram aqui em 2017”, diz Germain.

Antes, apenas um centro de saúde oferecia atendimento

Anteriormente, apenas um pequeno centro de saúde oferecia atendimento básico de saúde na área. Porém, Kusisa agora possui um hospital com capacidade cirúrgica, além de uma maternidade, uma enfermaria pediátrica e uma sala de emergência, entre outros serviços. A construção da estrutura foi finalizada em 2018 e as autoridades de saúde provinciais a reconheceram oficialmente como um hospital em 2020.

“Gradualmente, as pessoas de Bunyakiri começaram a vir para tratamentos em Kusisa”, disse o dr. Casumba Kangene. “Certa vez, conheci uma mulher grávida na estrada. Ela veio de Mulonge, a 120km de distância. Eu perguntei por que ela não tinha ido ao hospital geral de referência, que era muito mais perto de sua casa. Ela me disse que tinha ouvido falar que as pacientes da maternidade recebiam comida em nosso centro”, disse o dr. Kangene. “Ela sofria de desnutrição e via em nosso projeto a única chance de buscar tratamento para ter um bebê saudável”.

Nascimentos, consultas ambulatoriais, cirurgias

Entre 2017 e agosto de 2021, aproximadamente 4.800 crianças nasceram em Kusisa, incluindo 569 por cesariana. Quase 15 mil pessoas foram hospitalizadas, cerca de 700 cirurgias urgentes foram realizadas e mais de 101 mil consultas médicas ambulatoriais foram feitas, incluindo para pacientes com malária ou crianças gravemente desnutridas.



Foto: Paul Duke/MSF
 
Um legado para a comunidade

Nos últimos anos, os indicadores de saúde da região melhoraram, incluindo as taxas de vacinação e mortalidade da comunidade. Isso nos levou a decidir, no início de 2021, em acordo com o Ministério da Saúde, encerrar nosso apoio na área. A transferência ocorreu no dia 1º de setembro.

Durante os quatro meses anteriores ao término das atividades, nossas equipes decidiram apoiar o hospital remotamente após um incidente de segurança que afetou um de nossos funcionários.

“Como uma organização focada na resposta a emergências, estamos constantemente nos adaptando para concentrar nossos esforços onde há uma necessidade urgente de assistência médica”, disse Lucía Morera, coordenadora-geral de MSF na RDC. “Apesar dos desafios que isto pode representar, continuaremos a acompanhar a evolução do contexto e da situação de saúde na área, estando à disposição através da nossa equipe de emergência para intervir, se necessário”.

Treinamento para profissionais do Ministério da Saúde e doação de equipamentos

MSF realizou treinamentos para os profissionais do Ministério da Saúde e doará equipamentos logísticos e médicos para apoiar a instalação nos próximos três meses. A infraestrutura de Kusisa foi projetada para ser autossuficiente em energia, ela depende inteiramente de um sistema de painel solar e não precisa de geradores. Nossas equipes farão manutenção regular para garantir que esse mecanismo continue funcionando.
“Sempre é difícil dizer adeus, mas mantemos conosco o calor de uma comunidade que luta por serviços de saúde acessíveis”, afirma Morera. “Agradecemos a eles porque sem seu apoio, nada disso teria sido possível".



Foto: Davide Scalenghe/MSF
 

 

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