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Jovens da comunidade de Marcílio Dias se mobilizam e realizam festa julina

27/07/2005
Grupo de jovens, responsável pela elaboração do jornal comunitário de Marcílio Dias, organiza uma semana com atividades - exibição de filmes, painéis informativos e festa julina - para crianças e adolescentes da comunidade

Durante a semana de 18 a 22 julho, adolescentes de Marcílio Dias, no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, que participam de um grupo que escreve e edita o jornal comunitário "Jovens em Ação" organizaram atividades dentro do centro de saúde de Médicos Sem Fronteiras e uma festa julina na comunidade.

"Esta mobilização é um reflexo de um processo que já vem acontecendo há algum tempo entre os jovens do jornal. Eles vêm demonstrando um desejo cada vez maior de serem protagonistas, e à medida em que mostram responsabilidade, vou dando mais espaço para estes caminharem com suas próprias pernas. Essa foi uma primeira experiência em que eles se responsabilizaram por tudo", explica Rosana Ballestero, psicóloga e supervisora do grupo do jornal.

A idéia de proporcionar para crianças e adolescentes da comunidade uma programação especial durante uma semana surgiu de uma das participantes do grupo do jornal, Daniele Peclat, 14 anos. Ela conta que quando viu sua roupa de caipira no armário, pensou imediatamente em organizar uma festa julina para comunidade. "A gente, que mora aqui em Marcílio Dias, não tem nada pra fazer. Não temos opção de lazer. Achei que seria legal oferecer algumas coisas diferentes para a comunidade", explica Daniele.

O grupo concordou com a idéia e, rapidamente, começou a se organizar. O primeiro passo era preparar um cronograma de atividades para que conseguissem, em pouco tempo, realizar tudo o que queriam. "Até que não foi muito difícil decidir quem fazia o quê, porque todo mundo estava querendo ajudar. O mais difícil foi decidir que o megafone era a melhor forma de divulgação.(...) Saímos pela comunidade convidando todos para participarem das atividades. A gente entregou um convite com a programação da semana", comenta Daniele.

Com a supervisão da psicóloga Rosana Ballestero e o apoio dos residentes da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), os jovens criaram painéis com informações e fotos sobre o nordeste, exibiram dois filmes (‘O Auto da Compadecida’ e ‘Lisbela e o Prisioneiro’) e organizaram uma festa julina para comunidade.

Estes jovens, além de serem os responsáveis pela criação, montagem e funcionamento das barraquinhas de pescaria, boca do palhaço, boliche e barraca de mensagens (uma espécie de correio do amor); fizeram pinturas com tinta guache no rosto das crianças e brincadeiras de estátua, morto-vivo, corrida de saco, entre outras. "É muito bom ver a comunidade satisfeita com a festa e a apresentação dos filmes, que foi um sucesso. Em um dia vieram 30 crianças e no outro 20. Acho que eles também gostaram dos painéis, porque mostramos um pouquinho da cultura nordestina. Falamos sobre a seca, o folclore e a música de lá", esclarece Daniele.

O grupo do jornal se reúne semanalmente no centro de saúde de Médicos Sem Fronteiras para discutir sobre assuntos relevantes à comunidade e que poderão servir como pauta do jornal. O grupo conta com a supervisão da psicóloga Rosana Ballestero e o apoio da jornalista Ana Rosa Reis, responsável pelo departamento de comunicação de MSF. Angel do Nascimento, Ariane Donato, Assucena da Silva, Carlos Alberto, Daniele Peclat, Dafini Cassiano, Diego Alves, Diego Lima, Fernanda Barbosa, Fernanda Bras, Franciele dos Santos, Gabriela Figueredo, Graciene Porfírio, Helen Cristina da Silva, Ismael Lima, Jéssica Santos, Jorge Luiz Machado, Kawanny Santos, Lilit Figueredo, Lucas de Azevedo, Manoel Victor, Moisés de Azevedo, Monique dos Santos, Patrícia Peclat, Sara de Azevedo, todos eles entre 10 e 20 anos, aprendem técnicas de redação e editoração eletrônica de um jornal.

Esta iniciativa vem provocando mudanças entre os jovens de Marcílio Dias. “Eu percebo tanta transformação em mim, que fica até difícil explicar. Por exemplo, hoje eu reconheço como que é importante estudar. Ainda mais que agora sonho em fazer uma faculdade. E sei que consigo”, conta Daniele.