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Jordânia: MSF inaugura hospital de cirurgia reconstrutiva para vítimas de guerra em Amã

09/09/2015
O projeto recebe, em sua maioria, pacientes feridos durante conflitos em países vizinhos, como Síria e Iraque

Foto: Ali Jarikji/MSF

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) inaugurou oficialmente seu hospital de cirurgia reconstrutiva em Amã, na Jordânia, após diversas melhorias feitas no programa inicial. A instalação atende pacientes feridos de guerra da região que não têm acesso a cuidados cirúrgicos especializados em seus países de origem. O projeto foi implementado em 2006 em resposta à falta de cuidados desse tipo para vítimas do conflito no Iraque e, desde então, foi ampliado para receber pacientes de Gaza, do Iêmen e da Síria.

Nove anos depois, MSF decidiu ampliar a capacidade do projeto, renovando-o e movendo-o para outra estrutura hospitalar, para lidar melhor com a demanda resultante dos confrontos contínuos em países vizinhos. Por meio dessa ação, MSF irá melhorar a qualidade dos serviços médicos oferecidos às vítimas da guerra, que, geralmente, chegam ao hospital com um membro da família para ajudar no cuidado e na recuperação, se preciso.     

“Nessa instalação nova e ampliada, nossas equipes médicas altamente treinadas e especializadas da região estão aptas a melhorar a qualidade dos cuidados oferecidos aos nossos pacientes. O maior número de pacientes que recebemos atualmente é da Síria, seguido do Iêmen e do Iraque. As pessoas desses países já testemunharam e passaram por muito sofrimento”, disse Marc Schakal, coordenador-geral de MSF em Amã, na Jordânia.

O hospital oferece um pacote abrangente de cuidados aos seus pacientes, que inclui suporte psicossocial e fisioterápico, além de intervenções cirúrgicas. Os pacientes também têm direito à acomodação, agora disponível no local da nova instalação, e assistência financeira de viagem, para que cheguem ao hospital e voltem para casa depois ou entre sessões de tratamento, se o plano de cuidados for escalonado.

Desde 2006, o hospital admitiu mais de 3.700 casos e conduziu mais de 8.238 cirurgias. Os casos são identificados por meio de uma rede de profissionais médicos articulados nos países de origem dos pacientes. Esses números são apenas uma gota no oceano da quantidade de vítimas de guerra que sofrem as consequências de turbulências regionais.

“Embora eles recebam cuidados iniciais para seus ferimentos, nossos pacientes, em geral, não têm acesso a procedimentos cirúrgicos especializados como esses em seus países de origem, que, na maior parte, estão em guerra. Esses serviços difíceis de serem obtidos incluem cirurgia reconstrutiva ortopédica, maxilofacial e plástica, que oferecemos de forma gratuita aos pacientes e a custos de funcionamento menores que os praticados pelo setor privado”, disse o Dr. Ashraf Al Bostanji, principal cirurgião do projeto.

O hospital também conduziu mais de 134.620 procedimentos fisioterápicos e 45.660 sessões psicossociais desde que inaugurou. Nahla Fadel, do Iraque, explica a diferença que o projeto fez em sua vida:

“Eu cheguei pela primeira vez ao hospital de MSF em 2013 e fui submetida a 24 cirurgias. Quando cheguei, a mobilidade das minhas mãos gravemente queimadas era tão limitada que eu não conseguia pentear o cabelo do meu filho ou sequer alimentá-lo. Agora, após dois anos de cirurgias com MSF, a mobilidade das minhas mãos está quase voltando ao normal.”

Apoiado por especialistas locais e internacionais, o Dr. Ashraf Al Bostanji explica o que mais faz o hospital se destacar:

“As técnicas cirúrgicas adotadas nesse projeto são de nível mundial. Por exemplo, nossa equipe conduz microcirurgias que envolvem três principais tipos de cirurgia: transferência de tecido microvascular livre, enxerto de nervos e cirurgia nas mãos. O que faz esse projeto se destacar é a implementação de competências técnicas de alto nível no cuidado de vítimas de guerra, no campo médico-humanitário.”

MSF atua na Jordânia desde 2006. Em 2013, a organização estruturou um projeto de cuidados materno-infantis em Irbid, que também oferece apoio de saúde mental, e um projeto de emergência de trauma em Ramtha, próximo da fronteira síria.

MSF também administra clínicas em Irbid para tratar doenças não transmissíveis e uma unidade semi-intensiva no campo de refugiados sírios de Zaatari. Ao longo dos dois últimos anos, a organização envia doações médicas, que incluem kits cirúrgicos, a instalações de saúde no sul da Síria.

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