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Iraque: o desafio de proteger 1,3 milhão de pessoas vulneráveis à COVID-19

15/07/2020
Condições de vida nos campos de deslocados dificultam a adoção de medidas de proteção contra o vírus
Iraque: o desafio de proteger 1,3 milhão de pessoas vulneráveis à COVID-19

Foto: Tetyana Pylypenko/MSF

No meio da pandemia de COVID-19, mais de 1,3 milhão de pessoas no Iraque ainda estão deslocadas e vivem em abrigos superlotados e sem as condições ideais de higiene. Hoje, estão entre os mais vulneráveis à ameaça causada pelo novo coronavírus, alerta Médicos Sem Fronteiras (MSF).

“As pessoas deslocadas internamente no Iraque sofrem há anos, vivendo em campos formais e informais precários e frequentemente apertados. Houve os primeiros casos confirmados de COVID-19 em alguns campos, inclusive em Laylan, na província de Kirkuk, onde MSF trabalha. Embora não haja outros casos confirmados por enquanto, ainda estamos preocupados com o impacto que a doença terá nas pessoas mais vulneráveis dentro dos campos, especialmente devido às dificuldades em aplicar medidas de autoproteção”, afirmou Gul Badshah, coordenador-geral de MSF no Iraque.

Para responder ao surgimento de um caso de COVID-19 no campo de Laylan, MSF está mobilizando uma instalação de tratamento e isolamento com 20 leitos. Também continuamos implementando medidas de triagem para casos suspeitos, além de aumentar a conscientização sobre medidas de prevenção. No entanto, devido às condições restritas e anti-higiênicas nos campos, é quase impossível para as pessoas realizarem o distanciamento físico ou o isolamento de casos suspeitos.

“Nos campos onde MSF presta assistência médica, as famílias ficam juntas em tendas únicas e têm pouco acesso a instalações de higiene adequadas. Misturar-se com outros residentes do campo é uma condição diária inevitável e, com a quantidade insuficiente de ajuda fornecida, as pessoas não têm escolha a não ser sair e procurar qualquer trabalho para sustentar suas famílias, apesar de saberem do aumento do risco de infecção”, disse Tetyana Pylypenko, coordenadora-médica de MSF no Iraque. 

No campo de Laylan, MSF oferece atendimento a doenças não transmissíveis, consultas de saúde mental e serviços de saúde sexual e reprodutiva. Além das condições insalubres enfrentadas nos campos, as pessoas com doenças preexistentes, como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos e renais, são particularmente vulneráveis ao vírus e precisam de cuidados contínuos.

"É fundamental que as pessoas nos campos tenham acesso aos serviços de saúde regulares para a COVID-19 e aos não relacionados à doença", acrescentou Badshah. “Para MSF continuar implementando nossos programas em todo o país e respondendo adequadamente a todas as necessidades de saúde das populações neste momento, o acesso e o movimento não podem ser bloqueados”. 

Enquanto o Iraque tem um número crescente de casos de COVID-19, MSF começou em abril a apoiar as autoridades de saúde iraquianas no combate ao vírus, mudando as atividades em seu centro de cuidados pós-operatórios em Mossul para isolamento e tratamento de casos da doença, e apoiando a principal instalação de encaminhamento de pacientes com coronavírus na região.

Em Bagdá, MSF começou a atuar no atendimento especializado em UTI, bem como a prevenção e controle de infecções em um dos hospitais de tratamento de COVID-19 do Ministério da Saúde. MSF também está em instalações de saúde locais em Erbil e na capital Bagdá, fornecendo suporte técnico, apoio logístico e treinamento para as equipes em prevenção e controle de infecções, enquanto mantém a maioria de seus projetos médicos regulares abertos em todo o país.

No meio da pandemia de COVID-19, mais de 1,3 milhão de pessoas no Iraque ainda estão deslocadas e vivem em abrigos superlotados e sem as condições ideais de higiene. Hoje, estão entre os mais vulneráveis à ameaça causada pelo novo coronavírus, alerta Médi

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