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Inundações no Malaui

29/03/2019
Labana Steven, de MSF, fala sobre o apoio a milhares de pessoas afetadas pelas enchentes
Inundações no Malaui

Foto: MSF

O agente de logística e de saúde comunitária de MSF, Labana Steven, faz parte da equipe de emergência de MSF que trabalha na área de Makhanga, no Malaui, para apoiar milhares de pessoas afetadas por enchentes graves com suprimentos de saúde e saneamento. A área de Makhanga foi uma das mais afetadas pelas fortes chuvas que começaram no Malaui no início de março. O mesmo sistema de tempestades que atingiu o país se tornou depois o ciclone Idai, que atingiu Moçambique e Zimbábue entre 14 e 16 de março, sendo um dos piores ciclones tropicais a atingir o sul da África. Labana, que trabalhou para MSF por 20 anos no Malaui, também fez parte da resposta de MSF às inundações severas na mesma área em 2008 e 2015. Sua compreensão histórica e envolvimento profundo com parceiros e comunidades locais no sul do Malaui são vitais para a resposta contínua de MSF.

“A área de Makhanga, que é muito fértil, abriga cerca de 18 mil pessoas que criam gado e cultivam plantações como milho e arroz. É baixa e plana e cercada pelo rio Shire e seu maior afluente, o Ruo, então basicamente parece uma ilha”, diz Labana. “Isso faz com que seja muito propensa a enchentes. Se houver chuvas no distrito de Mulanje, nas proximidades ou rio acima, na cidade de Blantyre, e o Ruo aumentar, então a área está em risco. Se houver chuvas no interior e o rio Mwanza aumentar, isso pode causar a derrocada do rio Shire e toda a área está em risco. As fortes chuvas que começaram no início de março afetaram todos os distritos do sul, de modo que toda a área ficou submersa por semanas”, diz ele.

Aprendendo com enchentes anteriores

As lições que Labana aprendeu respondendo às graves inundações na área de Makhanga em 2008 e 2015 estão ajudando os atuais esforços de resposta emergencial de MSF.  “Em 2015, mapeamos as áreas de maior risco e mais propensas a inundações, a fim de concentrar nossa resposta e identificamos pessoas para trabalhar de perto na comunidade”, diz ele. Labana acrescenta que esses relacionamentos permitiram que MSF entrasse rapidamente na área, quando as chuvas pesadas estavam apenas começando, para avaliar a situação e planejar uma resposta imediata com a comunidade, que já tinha alguma experiência de como distribuir itens de primeira necessidade.

“Nas nossas respostas anteriores a enchentes, compartilhamos informações sobre como encontrar e priorizar pessoas que precisavam de assistência médica. Em 2015, muitas pessoas morreram nesta área, mas este ano menos vidas foram perdidas para a inundação, em parte porque as pessoas agora sabem onde encontrar um terreno mais alto”, diz ele.

O centro de saúde de Makhanga foi severamente inundado, mas Labana disse que a experiência de MSF em responder a enchentes anteriores novamente se mostrou útil. “Em 2015, muitos medicamentos ficaram encharcados nas enchentes, estragando-os. Depois, MSF elevou a altura das prateleiras para que os medicamentos ficassem seguros da água, então desta vez os estoques foram poupados”, diz ele.

Escassez de comida e água limpa

Poucas vidas foram perdidas nas enchentes de 2019, mas os danos causados a casas e plantações foram imensos. “Não foram apenas as plantações que foram perdidas, mas também os alimentos armazenados em casas em uma área que precisava de suporte alimentar antes mesmo de ser inundada. As enchentes já contribuíram para uma grande fome na área ”, diz Labana.

As águas da enchente também submergiram poços e destruíram banheiros, e com milhares de pessoas tendo que defecar a céu aberto, o risco de doenças transmitidas pela água, como diarreia e cólera, é alto. Labana diz que os muitos pântanos da área são criadouros de mosquitos, colocando pessoas em risco de contrair malária. "As pessoas aqui estão vulneráveis em termos de saúde agora, com muitos dormindo ao ar livre ou em seus galinheiros, porque suas casas foram destruídas", diz Labana.

O poço do centro de saúde de Makhanga foi contaminado pelas enchentes, mas a equipe de MSF conseguiu limpá-lo e garantir que a água seja mais segura de usar. Em outros lugares, as equipes de água e saneamento de MSF vêm distribuindo cloro, limpando pontos de água e construindo banheiros e chuveiros. “Nossa principal preocupação é evitar um surto de doenças diarreicas e cólera”, diz Labana.

Desafios para receber cuidados médicos

As inundações em Makhanga levaram a maior parte dos agentes de saúde do distrito a lugares mais altos no norte por razões de segurança, deixando os poucos agentes de saúde restantes sob forte pressão. “No início, havia apenas um assistente médico do Ministério da Saúde e um atendente do hospital. Para apoiá-los, duas equipes de MSF estão oferecendo cuidados de saúde básica, serviços de HIV e vigilância de doenças, com aproximadamente 150 consultas por dia. Estamos vendo agora muitas infecções respiratórias e malária”, diz Labana.

Trabalhando com o escritório de saúde distrital do Malaui, a equipe médica de MSF montou uma clínica comunitária para garantir o acesso a serviços de cuidados de saúde primária e a medicamentos para pacientes com doenças crônicas, incluindo HIV e tuberculose, que perderam seus medicamentos nas enchentes.

“MSF está oferecendo cuidados de saúde, água e saneamento e distribuindo itens de primeira necessidade e kits de higiene, mas nosso desejo é ver mais organizações respondendo em áreas de atuação que não são nossa especialidade, como alimentos. Olhando para o futuro, a comunidade de Makhanga vai precisar de mais apoio”, diz Labana.

 

Nas regiões afetadas pelas enchentes do sul do Malaui, as chuvas que começaram no início de março – pararam em grande parte e o acesso às áreas inundadas está melhorando. Até o momento, as enchentes causaram 59 mortes, deixaram 677 feridos e provocaram o deslocamento de cerca de 87 mil pessoas em acampamentos em geral (OCHA, 22 de março). Uma das áreas mais afetadas é a área de Makhanga, que essencialmente permanece uma ilha isolada de todos os acessos por estrada, embora tenha eletricidade novamente. Enquanto muitos milhares de pessoas estão atualmente abrigadas em escolas, igrejas e acampamentos improvisados para pessoas deslocadas, alguns estão começando a voltar para casa para reconstruí-la. Houve uma perda generalizada da plantação e dos animais – estima-se que 50% das plantações da área tenham sido perdidas. Uma equipe de MSF de 18 pessoas está atualmente trabalhando com autoridades locais, comunidades e o Ministério da Saúde para cobrir as necessidades de cerca de 18.000 pessoas em Makhanga com suprimentos para saúde, saneamento e itens não alimentícios.

 

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