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Ingushetia: autoridades fecham campo de refugiados chechenos

06/10/2003
Militares dificultam o trabalho de organizações de ajuda humanitária. MSF aguarda autorização prometida para iniciar a construção de abrigos temporários para os refugiados chechenos que não quiserem retornar para o país, por falta de segurança.

O acampamento Bela na Ingushetia, que abriga mais de 3.500 chechenos deslocados, foi fechado pelas autoridades da Ingushetia no dia primeiro de outubro, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras. Este último acontecimento reafirma a estratégia das autoridades da Ingushetia de fechar os acampamentos.

A maioria das últimas 168 famílias que viviam no acampamento de Bela foram transferidas, nas últimas semanas, para barracas oferecidas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no acampamento de Satsita. As famílias deslocadas poderão permanecer na Ingushetia e não retornar a Chechênia, onde um clima de extrema violência, com seqüestros, assassinatos, tortura e operações de ‘limpeza’ persistem. Infelizmente, ninguém sabe para onde foram as famílias que tiveram que fugir do acampamento antes de setembro. Essas famílias não tiveram outra alternativa a não ser retornar para Chechênia.

Na noite antes do fechamento do acampamento de Bela, as famílias que ocupavam terras em Kompakniki, Logovaz e Oushkoz foram ameaçadas de expulsão. No mesmo dia, os militares realizaram uma nova operação de ‘limpeza’ no acampamento de Karabulak, nos arredores de Nazran, capital da Ingushetia. Cem soldados cercaram o acampamento. Dois homens foram presos e ficaram detidos até a noite. Na manhã seguinte, cerca de 30 homens mascarados retornaram ao acampamento e prenderam um outro morador.

Durante o mesmo período, o acesso aos acampamentos para trabalhadores de ajuda humanitária ficou gravemente restrito. A entrada está proibida sem uma autorização especial, e os oficiais dizem que os motivos das restrições se devem a insegurança e as ameaças de seqüestro.

A transferência de alguns dos refugiados que estavam abrigados no campo de Bela não deve ser uma exceção e sim uma condição. A transferência provou que é possível oferecer com agilidade abrigos alternativos às pessoas que preferirem não retornar para Chechênia por medo da insegurança. Cada família expulsa deve receber ofertas concretas de abrigo na Ingushetia. MSF está pronta para reiniciar a construção de abrigos temporários assim que as autorizações prometidas forem dadas.

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