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Iêmen: tratamento contra a malária e as consequências de um sistema de saúde colapsado

19/01/2018
Falta diagnóstico precoce, medidas preventivas e acesso à saúde é a maior responsável pelas mortes provocadas pela doença
Iêmen: tratamento contra a malária e as consequências de um sistema de saúde colapsado

Foto: MSF

Enquanto os casos suspeitos de difteria e o surto de cólera têm sido o centro das atenções nos últimos meses, a malária continua a afetar milhares de iemenitas, especialmente nas áreas mais vulneráveis, como o vale de Osman, no município de Amran. Em outubro e novembro de 2017, MSF desenvolveu um programa para tratar os pacientes e estabelecer medidas de prevenção no lugar.

"A malária é endêmica em algumas áreas do Iêmen, como os vales da província de Amran. A maioria das mortes provocadas pela doença pode ser associada à falta de diagnóstico e tratamento precoces devido ao acesso precário aos cuidados de saúde e à falta de medidas preventivas ", explica Caroline Seguin, Gerente do Programa de MSF para o Iêmen.

Nos anos anteriores, o Ministério da Saúde Pública e População do Iêmen (MoPHP, em inglês) respondeu ao aumento dos casos de malária fornecendo tratamento (estocando medicamentos em centros de saúde) e controle vetorial (distribuição de mosquiteiros e pulverização de inseticida). No entanto, devido ao conflito e ao colapso do sistema de saúde, o MoPHP não pode manter o mesmo nível de resposta e a situação está se deteriorando.

Em 2017, MSF tratou sozinha mais de 10 mil pacientes de malária. Das 3.225 consultas conduzidas entre final de setembro e final de dezembro, 654 (mais de 20%) apresentaram resultado positivo para a malária. A atuação de MSF incluiu três etapas distintas: distribuição de mosquiteiros, oferta de tratamento e treinamento essenciais, teste e tratamento de casos de malária.

No âmbito dessa ação, MSF também organizou uma triagem de desnutrição para crianças com menos de 5 anos, bem como para mulheres grávidas e lactantes. Mais de 1.200 crianças foram selecionadas, com taxas muito altas de desnutrição aguda grave e moderada detectadas (7,5% e 40%, respectivamente). "Essas taxas, embora alarmantes, não podem ser consideradas uma amostra representativa do estado nutricional de todas as crianças na área, já que as crianças selecionadas estavam doentes. Ainda assim, mostra uma preocupante situação nutricional subjacente na área", confirmou Seguin.
 

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