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Iêmen: MSF apoia hospitais que cuidam dos feridos em Hodeidah

22/06/2018
A ofensiva militar na região continua pressionando as estruturas de saúde no país
Iêmen: MSF apoia hospitais que cuidam dos feridos em Hodeidah

No dia 13 de junho, forças leais ao presidente Hadi, apoiadas pela coalizão liderada pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos lançaram uma ofensiva militar em Hodeidah, cujo porto estratégico no mar Vermelho continua a ser um dos poucos abertos às pessoas que vivem no norte do Iêmen.

Intensos combates entre o grupo Ansar Allah (Houthis) e as forças apoiadas pela coalizão saudita estão ocorrendo desde o início de maio. As frentes de batalha estão mudando da província de Taiz para a cidade de Hodeidah, onde vivem 600 mil pessoas. Depois do ultimato enviado em 6 de junho pelos Emirados Árabes Unidos (EAU) à ONU para que os profissionais da organização e de outras ONGs deixem a cidade em três dias, todas as equipes internacionais estão sendo evacuadas da cidade.

Em Hodeidah, equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão fornecendo suprimentos médicos ao hospital Al Thawrah, o principal hospital público na província, cuja capacidade de atendimento já está diminuindo. No distrito de Far Al Udayn, a oeste de Ibb, MSF também está oferecendo suprimentos a uma instalação de saúde que recebe pessoas feridas durante os combates em Hodeidah.

“A falta de assistência humanitária, após a suspensão dos programas de ajuda e a limitação do número de profissionais de ONGs no local enquanto uma ofensiva militar está em curso, terá graves consequências numa região que já enfrenta restrições à importação e ao transporte interno de suprimentos vitais, incluindo medicamentos, comida e combustível”, explica Frederic Pelat, coordenador do projeto de MSF no Iêmen. Os iemenitas que vivem no norte do país dependem de suprimentos vitais que passam pelo porto de Hodeidah. “É crucial que as partes do conflito garantam que os civis possam se locomover livremente enquanto procuram locais seguros para se abrigarem”, acrescentou Pelat.

Todos os dias, desde o início dos confrontos em maio, as equipes de MSF em Aden recebem pacientes de Hodeidah que precisam de assistência médica vital. “A grande maioria dos moradores de Hodeidah que tratamos no hospital de MSF em Aden são casos emergenciais. Eles estão dirigindo por pelo menos seis horas para chegar a Aden, na maioria das vezes em condições críticas”, explica Ghazali Babiker, coordenador de MSF.

Antes de chegar a Aden, civis feridos nas frentes de batalha são evacuados para a cidade de Mocha, a 180 km ao sul de Hodeidah, cercada por frentes de batalha a norte e leste. “Há apenas um hospital em Mocha, onde os feridos podem ser estabilizados na sala de emergência. Mas o hospital não tem centro cirúrgico, o que significa que os pacientes não podem passar pelas cirurgias que necessitam”, diz Babiker. MSF está fornecendo suprimentos médicos e treinamento ao hospital de Mocha. A falta de cuidados médicos apropriados nas frentes de batalha, antes da evacuação médica e da realização de cirurgias, continua a ser uma das principais causas de complicações médicas.

Nas últimas semanas, o hospital de MSF em Aden tem operado em sua máxima capacidade para receber pessoas das áreas ao redor da região e das poucas outras instalações de saúde em funcionamento na cidade. "A pressão sobre as estruturas de saúde restantes já é enorme, mesmo a ofensiva militar tendo começado há alguns dias", acrescenta Ghazali Babiker.

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