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Iêmen: conflito coloca a vida de pacientes com insuficiência renal em risco

08/02/2018
Nos últimos dois anos, MSF forneceu mais de 83 mil sessões gratuitas de diálise, mas não consegue suprir as necessidades do país sozinha
Iêmen: conflito coloca a vida de pacientes com insuficiência renal em risco

A vida de pacientes com insuficiência renal está sendo colocada em risco à medida que os centros de tratamento renal no Iêmen funcionam com dificuldade, afirma a organização médica internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Desde o início do recente conflito no Iêmen, quatro dos 32 centros de tratamento renal no Iêmen foram forçados a fechar. O restante está ficando sem suprimentos essenciais, o que dificulta sua capacidade de fornecer tratamento contínuo aos pacientes. Os pacientes, entretanto, lutam para viajar até os centros que ainda funcionam, bem como para pagar o tratamento.

Pacientes com insuficiência renal dependem de máquinas para filtrar o sangue, função normalmente realizada pelos rins. Esses pacientes geralmente comparecem a sessões de diálise três vezes por semana. No Iêmen, o tratamento foi reduzido para duas sessões por semana, levando a um aumento dos efeitos colaterais e uma diminuição da qualidade de vida, o que pode levar à morte.

"A maioria dos pacientes com insuficiência renal geralmente não tem força física ou dinheiro para viajar para receber tratamento", diz Djoen Besselink, coordenador de MSF no Iêmen. "Mesmo que eles consigam alcançar um centro que ainda está funcionando, eles podem não conseguir o tratamento. Um número significativo de pacientes em diálise são funcionários do governo e não recebem seus salários há mais de 18 meses. Logo, a chance de receberem esse tratamento médico que salva vidas é baixa."

Mukbil, de 35 anos, sofre de insuficiência renal e vive há meses em um estacionamento para reduzir os custos de viagem. "Eu não tenho dinheiro para o transporte da minha casa até o hospital para cada sessão de diálise", relata Mukbil, "então eu decidi ficar no estacionamento."

Saber, de 24 anos, só pode receber a diálise porque sua sogra vendeu todas as suas jóias para financiar seu tratamento. "A doença está acabando comigo e os meus familiares estão sofrendo", diz ele.

"A situação dos pacientes com insuficiência renal é apenas um exemplo das consequências da guerra contra o povo iemenita", conta Besselink. "Estamos com baixos estoques de medicamentos e suprimentos, os profissionais de saúde não são pagos há 18 meses, os hospitais estão lutando para continuar funcionando e muitos foram atingidos por ataques aéreos ou bombardeios e forçados a fechar - incluindo instalações de MSF. As necessidades médicas são enormes e a situação é terrível."

Ao longo dos últimos dois anos, MSF importou mais de 800 toneladas de suprimentos de diálise e ofereceu mais de 83 mil sessões de diálise para cerca de 800 pacientes de maneira gratuita. No entanto, MSF não consegue suprir as enormes necessidades do país e está convidando outras organizações para que participem e ajudem os mais de 4.400 pacientes com insuficiência renal e com necessidade urgente de tratamento.

MSF é uma organização médico-humanitária internacional que presta cuidados de saúde de acordo com a ética médica. As equipes de MSF atualmente trabalham em 11 províncias do Iêmen e apoiam mais de 23 instalações de saúde.
 

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