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Guiné-Bissau: cinco coisas para saber sobre o nosso projeto pediátrico

30/11/2018
Conheça o trabalho de MSF no Hospital Nacional Simão Mendes na capital Bissau
Guiné-Bissau: cinco coisas para saber sobre o nosso projeto pediátrico

Foto: Raul Manarte/MSF


1.    Guiné-Bissau, um dos países menos desenvolvidos do mundo

A instabilidade política em Guiné-Bissau teve um impacto significativo no sistema de saúde. A falta de recursos e profissionais qualificados e a inexistência de um sistema de referência limitam o acesso da população a serviços básicos de saúde de boa qualidade. A situação se agrava ainda mais pela falta de atividades de prevenção e vigilância epidemiológica eficaz. Crianças menores de 5 anos e mulheres grávidas são as principais afetadas. Apesar da presença de organizações humanitárias internacionais e da implementação de vários programas médicos, muitas pessoas não têm acesso aos serviços de saúde.

Nesse contexto, MSF inaugurou um projeto de cuidados pediátricos no principal hospital do país, o Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM), onde mantém a unidade de emergência pediátrica, além das unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal e uma unidade de nutrição terapêutica com internação.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            
2.    Em primeiro lugar, os casos mais graves

Infecções respiratórias, malária, diarreia e meningite são as principais doenças que afetam crianças menores de 5 anos em Guiné-Bissau. Todas são potencialmente fatais, mas, em geral, o prognóstico é bom se o atendimento adequado é recebido rapidamente. No entanto, como muitos centros de saúde no país, sem o apoio de MSF, o HNSM não teria recursos nem equipe médica qualificada para atender e gerenciar casos críticos de forma eficaz.

Nosso ponto de partida foi estabelecer um bom sistema de triagem na unidade de emergência pediátrica. Ao classificar os pacientes que chegam ao HNSM como casos verdes, amarelos ou vermelhos, as crianças com menos de 15 anos são rapidamente encaminhadas para os serviços adequados. Agora, a equipe médica pode garantir tratamento mais rápido e eficiente, melhorando o atendimento aos pacientes mais jovens e reduzindo a mortalidade.

3.    Dos cuidados mais básicos aos tratamentos mais sofisticados

Apesar de ser um centro médico de referência, o HNSM não cumpre o seu papel como hospital terciário de referência, ou seja, um hospital que ofereça os tratamentos mais avançados e especializados. Nossa prioridade no início do projeto era colocar em prática uma boa assistência médica básica. Seguir protocolos rigorosos e procedimentos de tratamento corretos são padrões mínimos que anteriormente não eram atendidos e têm grande impacto na mortalidade infantil em casos tão graves quanto os tratados em unidades de terapia intensiva. A partir desse atendimento médico básico de qualidade, MSF tem conseguido avançar para tratamentos mais técnicos ou sofisticados, que exigem equipes médicas com melhor treinamento e equipamentos mais especializados.

4.    Melhor treinamento da equipe médica

O atendimento médico em unidades dedicadas especificamente a casos pediátricos graves e críticos é particularmente complexo e exigente. Isso requer habilidades médicas específicas e uma proporção maior de equipe médica por paciente do que em departamentos hospitalares não-intensivos. Em um país como Guiné-Bissau, onde não há opção de especialização pediátrica na universidade, isso representa um desafio ainda maior: todos os médicos com quem trabalhamos no hospital nacional são clínicos gerais. A formação é um dos principais pilares da resposta e um elemento decisivo do nosso projeto no HNSM. Nós enviamos profissionais internacionais que são pediatras para oferecer treinamento aos médicos locais e estudantes universitários de enfermagem e medicina comparecem ao hospital para fazer turnos nas unidades de emergência e terapia intensiva.

5.    Estreita colaboração com o Ministério da Saúde

A presença de MSF nos serviços pediátricos do HNSM auxilia o Ministério da Saúde na gestão do departamento. Isso também revelou uma série de problemas em outros departamentos. Por exemplo, alguns casos pediátricos sérios poderiam ter sido evitados se cuidados de saúde reprodutiva adequados tivessem sido oferecidos. Muitas das complicações médicas enfrentadas por recém-nascidos com até 28 dias se originam no parto. Portanto, uma vez que muitos dos recém-nascidos atendidos na unidade de emergência pediátrica vieram da maternidade do hospital, é necessário manter um contato próximo entre os dois departamentos.

Além disso, um grande número de crianças internadas na unidade de terapia intensiva do HNSM tem complicações relacionadas a infecções por HIV em estágio avançado. MSF, portanto, trabalha com o Ministério da Saúde para mobilizar recursos, tanto humanos quanto financeiros, e intensificar os esforços de prevenção nessa área.