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Gaza: MSF pede que trabalho humanitário possa ser feito de maneira segura

15/01/2009
Mesmo com autorização das autoridades israelenses, equipes não têm conseguido atender os pacientes devido à violência

Apesar das declarações dadas pelas autoridades isralenses, a deterioração da situação de segurança na Faixa de Gaza está limitando de maneira extrema a assistência humanitária internacional. Médicos Sem Fronteiras (MSF) tem dado apoio às unidades de saúde palestinas, que já não conseguem mais dar conta de milhares de pacientes feridos e pede que todas as partes envolvidas no conflito permitam que a ajuda médica possa entrar e trabalhar de maneira segura na Faixa de Gaza.

Os tiroteios e bombardeios realizados pelo Exército de Israel na Faixa de Gaza não permitem que as equipes de MSF cheguem ou saiam, mesmo com a autorização das autoridades israelenses. A trégua diária de três horas que Israel anunciou não está sendo plenamente respeitada. Uma vez que a medida só se aplica à Cidade de Gaza, não há possibilidade dos trabalhadores humanitários usarem de maneira segura a passagem de Erez, no norte da Faixa de Gaza, a única área autorizada pelas autoridades israelenses para a movimentação de nossa equipe.

MSF não obteve a autorização para usar a passagem de Kerem Shalom, que é utilizada para a entrada de suprimentos. A organização denuncia este bloqueio e a falta de escolha que enfrenta: expor as equipes ao perigo para ajudar a quem precisa.

MSF pede que Israel autorize a entrada de seus trabalhadores humanitários através de pontos alternativos de entrada na Faixa de Gaza, como Kerem Shalom. Essa é uma condição indispensável para oferecer assistência adequada à população de Gaza.

"As pessoas vivendo na Faixa de Gaza não têm como fugir e estão encurraladas pela violência", afirma Franck Joncret, chefe de missão de MSF nos Territórios Palestinos. "É extremamente importante que a ajuda externa possa chegar até eles. Mas até agora, os riscos enfrentados pelas agências internacionais e palestinas são muito altos, impossibilitando a realização de assistência humanitária. Israel e Hamas têm que assumir suas responsabilidades para facilitar o trabalho das organizações humanitárias".

Enquanto a emergência dos hospitais em Gaza enfrentam falta de cirurgiões, uma equipe cirúrgica de MSF está em Jerusalém há uma semana esperando poder entrar na Faixa. O Hospital Shifa, na Cidade de Gaza, pediu e conta com o apoio da equipe médica e dos medicamentos fornecidos por MSF há mais de duas semanas.

"Estamos em contato regular com os hospitais em Gaza", conta Cécile Barbou, coordenadora médica de MSF na Faixa de Gaza. "Seus departamentos de emergência e unidades de terapia intensiva estão sobrecarregadas pelo grande fluxo de doentes e feridos, especialmente durante a noite. Os departamentos cirúrgicos estão trabalhando sem parar. Às vezes, duas operações são realizadas ao mesmo tempo no mesmo bloco cirúrgico. A equipe do hospital está exausta".

Desde que as operações militares israelenses começaram no dia 27 de dezembro, tem sido muito difícil oferecer ajuda humanitária. A clínica de MSF na Cidade de Gaza continua aberta, mas é extremamente perigoso para as pessoas se deslocarem e apenas alguns moradores conseguem chegar às unidades médicas.

Parte das equipes médicas palestinas são abastecidas com kits de emergência, de maneira que possam tratar pacientes que moram nos bairros onde eles residem. Medicamentos e suprimentos foram retirados dos estoques de MSF para serem usados nos hospitais de Gaza, que sofriam com a falta de remédios.

Além disso, a entrega de 21 toneladas de suprimentos médicos emergencias de MSF está a caminho. A carga inclui medicamentos (analgésicos, anestésicos e antibióticos), suprimentos médicos e cirúrgicos, equipamentos logísticos, entre os quais um hospital móvel com duas salas de operação e uma unidade de tratamento intensivo com dez leitos.

As partes envolvidas no conflito devem respeitar os trabalhadores de saúde e garantir sua entrada segura na Faixa de Gaza.

MSF trabalha na Faixa de Gaza desde 1989. Atualmente, a equipe inclui três profissionais internacionais e 70 palestinos, 35 dos quais são médicos. Os

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