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Febre de Lassa: o desafio para diagnóstico e tratamento

29/01/2019
Só em 2018, estados da Nigéria relataram 3.498 casos suspeitos da doença
Febre de Lassa: o desafio para diagnóstico e tratamento

Foto: Lam Yik Fei

Este ano marca 50 anos desde a descoberta do vírus causador da febre de Lassa na aldeia de Lassa, na Nigéria. A doença é um tipo de febre hemorrágica viral, endêmica nos países da África Ocidental, como Nigéria, Serra Leoa, Guiné, Libéria e Benin.

"Já se passou meio século desde que a febre de Lassa foi descoberta no norte da Nigéria, mas os profissionais de saúde na África Ocidental ainda precisam de equipamento e treinamento adequados para gerenciar com segurança pacientes de todas as idades afetados pela doença", disse a dra. Hilde De Clerck na primeira conferência internacional sobre a febre de Lassa, realizada nos dias 16 e 17 de janeiro em Abuja, Nigéria.

Apesar de afetar até 300 mil pessoas por ano em toda a África Ocidental, e causar mais de 5 mil mortes por ano, a febre de Lassa é uma doença pouco conhecida, difícil de diagnosticar e tratar. Apenas alguns laboratórios nas áreas afetadas podem diagnosticar o vírus – o que pode levar a atrasos no início do tratamento. Embora seja disseminada inicialmente pelo contato com ratos infectados, o manejo da febre de Lassa requer o uso apropriado de equipamentos de proteção individual e outras medidas de prevenção e controle de infecção, para proteger os profissionais de saúde e parentes dos pacientes.

“Um dos principais desafios do tratamento da febre de Lassa é a natureza da doença em si, porque no início se parece com outras doenças, como a malária. Muito tempo é desperdiçado antes que o paciente realmente receba o tratamento, e o prognóstico é muito ruim se o tratamento não for iniciado dentro de seis dias a partir do início dos sintomas. O que podemos fazer para lidar com isso é fazer testes de rotina em quase todo mundo que tem febre para garantir o tratamento adequado”, disse o comissário de Saúde do Estado de Ebonyi, dr. Umezurike Daniel.

Em março de 2018, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) se uniram à resposta a um dos maiores surtos de febre de Lassa na história da Nigéria. Vinte e três estados na Nigéria relataram 3.498 casos suspeitos da doença em 2018, com 45 profissionais de saúde dentre os 633 casos confirmados. MSF continua apoiando o Hospital Federal de Ensino Abakaliki (FETHA) de 700 leitos, e o Ministério da Saúde (MS) no Estado de Ebonyi, que foi um dos mais afetados pelo surto.

“Um dos principais objetivos da colaboração de MSF com o FETHA e o Ministério da Saúde do Estado de Ebony é treinar a equipe do hospital para se proteger da infecção, identificando rapidamente e isolando com segurança os casos suspeitos de febre de Lassa presentes nas enfermarias. Também pretendemos desenvolver práticas aprimoradas de gestão de casos e facilitar ações preventivas na comunidade. Todas essas medidas são passos importantes para salvar vidas e reduzir a transmissão da doença”, disse a dra. Maikere Jacob, coordenadora médica de MSF na Nigéria.


 

MSF está presente em nove estados da Nigéria. Além de apoiar o gerenciamento da febre de Lassa no estado de Ebonyi, a organização responde às necessidades humanitárias devido ao conflito em vários locais nos estados de Borno e Yobe. No estado de Sokoto, MSF oferece cirurgia reconstrutiva e tratamento abrangente para crianças que sofrem de Noma. Em Port Harcourt, os sobreviventes de violência sexual recebem assistência médica e psicológica. No estado de Zamfara, MSF trata crianças afetadas pelo envenenamento por chumbo. No estado de Cross River, MSF presta cuidados de saúde primários aos refugiados dos Camarões.

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