Você está aqui

"Eu penso demais, fico ansioso e não consigo dormir."

12/01/2018
"Eu penso demais, fico ansioso e não consigo dormir."

Foto: Sacha Myers/MSF

Amir*, de 35 anos, passou três anos vivendo em um campo para deslocados internos perto da cidade de Sulaymaniyah, no norte do Iraque. Amir e sua família fugiram de sua casa em Salaheddin quando o grupo autoproclamado Estado Islâmico (EI) cercou sua cidade e cortou o fornecimento de alimentos. Ele sofre de uma longa história de ansiedade e insônia e recebe apoio de um psicólogo de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no campo onde vive.

Meu nome é Amir* e tenho 35 anos. Eu sou de Salaheddin. Tenho nove filhos, de 3 a 15 anos de idade.  
 
Nós deixamos nossas casas e viemos para cá por causa do EI. O EI entrou na nossa cidade e nos cercou para que não pudéssemos receber comida. Nossa situação tornou-se muito ruim.

Eu vivi toda minha vida em Salaheddin. Nós éramos fazendeiros e tínhamos animais. Nossos filhos costumavam ir à escola. Nossa vida era estável e éramos felizes até o EI chegar. Então, não havia mais segurança.

Nós viajamos de um lugar para outro até chegarmos a Sulaymaniyah. Graças a Deus, ficamos confortáveis aqui e a situação é boa. Além disso, muitas organizações nos visitaram.

Estamos no campo há três anos. Eu tinha 32 anos quando chegamos. Sou trabalhador da construção civil agora e trabalho fora do campo. Vivemos em uma barraca. O único problema é a situação econômica. Às vezes, não temos comida suficiente. Alguns dias não há trabalho na construção. Mas a segurança é boa aqui e nos sentimos seguros. Nossos filhos vão para a escola aqui, felizmente.

Eu conheci MSF quando li sobre a organização e alguns profissionais de MSF visitaram as tendas no campo. Eles nos ajudaram de uma boa maneira.

Eu penso demais, fico ansioso e não consigo dormir. Eu fico acordado a noite inteira. Permaneço sentado em algum canto até o amanhecer. Como resultado, fico doente. No passado, tive dor no estômago e no peito. Visitei médicos e eles não me ajudaram. Mas quando visitei profissionais de saúde mental, isso foi muito útil para mim.

Neste momento, eu visito MSF e me ajuda muito. Agradeço ao psicólogo de MSF. Ele me deu instruções para atividades e elas realmente ajudaram. Ele me encorajou a garantir que eu saísse da barraca todos os dias e visitasse socialmente as pessoas que conheci, para praticar esportes e evitar ficar sozinho em casa. Ele também recomenda que eu continue ocupado e não fique sentado em casa.

Exatamente agora, não sei o que acontecerá no futuro. Eu só quero voltar para casa e ter uma vida estável novamente. Mas nossa casa foi destruída.

As pessoas estão voltando para casa devagar, mas as que retornaram ainda não se sentem seguras. Durante o tempo do EI, havia riscos e ainda não tenho certeza sobre a segurança de nossa cidade natal.

* Nome alterado para proteger sua privacidade.

Leia mais sobre