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Etiópia: refugiados tentam sobreviver em acampamentos inundados

05/09/2014
É essencial que essas milhares de pessoas sejam instaladas em locais adequados urgentemente

Com a estação chuvosa, o campo de refugiados de Lietchuor, que abriga cerca de 40 mil pessoas do Sudão do Sul, tornou-se um lago com pequenas ilhas isoladas. Como resultado, a Administração para Assuntos relacionados com Refugiados e Repatriados (ARRA, na sigla em inglês) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) decidiram fechar o acampamento e precisam encontrar um local adequado para realocar os refugiados.

Fortes chuvas e inundações também causaram sérios prejuízos nos campos transitórios de Pagak e Pamdong, na região de Gambella, na Etiópia, mas o campo de Lietchour é que está em pior estado, tendo sido estruturado em terreno plano e nu, com solo de algodão preto, no qual a água das inundações se aglomeram e estagnam. Os tukuls (tendas de lama) recém-construídos para os refugiados estão completamente inundados. A estrada construída em uma faixa de terra elevada é a única área ainda habitável, e alguns dos refugiados estruturaram suas tendas pelo caminho. Outros deixaram o acampamento, instalando-se em tendas nos vilarejos próximos, com as comunidades locais, ou em igrejas.

Durante o mais recente temporal, no dia 24 de agosto, os abrigos foram abaixo. O complexo da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) também ficou inundado. Ventos fortes levaram a lona plástica que cobria o teto da tenda onde estava a equipe, forçando o pessoal a se realocar. E, na parte interna do acampamento, as latrinas, que foram construídas às pressas, transbordaram, e algumas estão completamente inutilizáveis.

As instalações médicas de MSF, no entanto, resistiram. Apesar de estar, agora, em uma ilha cercada por água, o centro de saúde de MSF, bem como o hospital da organização com seus 107 leitos, uma maternidade e um centro intensivo de nutrição terapêutica, todos estruturados em tendas individuais, continuam operando.

As equipes de MSF ergueram as tendas médicas 40 cm acima do solo e construíram um sistema de drenagem em seu entorno. Assim, os leitos e os pacientes que os ocupam permanecem secos.
“Antes do início da estação das chuvas, trouxemos 100 caminhões, cada um com cinco metros cúbicos de terra, para elevar o nível do hospital”, conta Suzanne Ceresko, coordenadora de logística de MSF. “Mas todos os dias, quando chove, ainda temos que bombear a água para fora do entorno das tendas de MSF.” Logística é parte essencial do trabalho de MSF, mas, em casos como esse, pode representar um custo significativo.

Nesse momento, encontrar um local adequado para os refugiados é crucial. A área deve ser similar a Kule e Tierkidi, e não ser propensa a inundações, além de ter árvores para que a sombra sirva de refúgio na estação seca, com suas altas temperaturas, e para que a lenha permita que as pessoas cozinhem. Finalmente, o local não deve representar nenhum risco à segurança da população refugiada. Mas as regiões de Nip Nip, Dima e Pugnido, identificadas pelas autoridades, não atendem essas necessidades.

MSF está pronta para oferecer cuidados médicos para os refugiados uma vez que eles forem realocados para um novo e adequado local. Enquanto isso, as equipes da organização continuam prestando serviços no campo de Lietchuor, onde as pessoas ainda têm necessidades médicas. A maioria dos pacientes atendidos pelo pessoal de MSF em Lietchour sofrem com malária e infecções respiratórias, mas a hepatite E e a icterícia já foram detectadas. As atuais condições de higiene vão impactar gravemente a saúde da população. No entanto, não foram registrados casos de cólera. Em 23 de agosto, equipes de MSF concluíram uma vacinação de massa no acampamento, imunizando mais de 39 mil pessoas contra a doença.

O hospital de MSF em Itang, com 120 leitos, próximo dos campos de Tierkidi e Kule, também foi afetado pela tempestade mais recente. Um dique reforçado por MSF para proteger o hospital foi destruído e a clínica, que atendia tanto refugiados quanto as comunidades locais, não está mais em funcionamento. Trinta e cinco pacientes internados foram transferidos para outras tendas, enquanto outros foram encaminhados para instalações de saúde administradas por outros parceiros.

O acesso a cuidados de saúde é essencial para refugiados na região de Gambella, e é preciso encontrar soluções para garantir que cuidados médicos estejam disponíveis nos acampamentos para todos aqueles que precisam.

MSF também está presente nos campos de Kule e Tierkidi, onde a organização oferece cuidados de saúde e serviços de água e saneamento.
 

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