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Encurralados na terra de ninguém entre o Iraque e a Jordânia

28/04/2004

A organização Médicos Sem Fronteiras busca junto às Nações Unidas e as autoridades jordanianas asilo para mil pessoas que estão vivendo em situação precária na fronteira entre o Iraque e a Jordânia. O lugar é inadequado para um campo de refugiados.

Cerca de mil pessoas estão encurraladas entre os postos de fronteira do Iraque e da Jordânia. A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras está oferecendo, no momento, assistência médica numa clínica no acampamento onde estão médicos, enfermeiros e um coordenador logístico da organização.

Algumas das pessoas vêm do campo de refugiados de Al Tash, localizado a cerca de 150 quilômetros a oeste de Bagdá. Há informações de que a população deste campo chega a 13 mil pessoas. Os refugiados disseram a MSF que eles estiveram neste campo há mais de 20 anos e que fugiram após a queda de Saddam Hussein, quando foram atacados por moradores da região próxima ao campo. MSF ainda não pôde visitar o campo porque há muita insegurança na área.

Até agora, os refugiados estão em condições razoáveis de saúde. No entanto, muitos dormiram ao ar livre, antes de conseguirem um abrigo na fronteira. Com freqüência, há pessoas com problemas nos olhos devido aos fortes ventos e à areia nesta região que é semelhante à superfície da lua. Há casos de diarréia e infecções respiratórias mas não a níveis alarmantes. Há uma proporção muito alta de crianças; cerca de 60% do grupo são menores de 15 anos de idade. Muitos deles apresentam infecções respiratórias e nos olhos. Existem ainda problemas com algumas pessoas que precisam urgentemente de medicamentos para doenças crônicas.

A situação dos refugiados pode, no entanto, piorar rapidamente, porque o lugar onde eles estão vivendo é totalmente inadequado para um campo de refugiados. O clima na região é muito ruim, com uma poeira de cegar, típica de regiões desérticas. Água também é um problema, já que não há nenhuma fonte adequada próxima ao campo. Água potável tem que ser levada de caminhão, de outros campos de refugiados que estão há pelo menos 50 quilômetros da Jordânia. Banheiros ainda estão em construção e o depósito de lixo fica distante. Essas condições geram um risco.

Um enfermeiro de MSF resume a frustração da equipe que trabalha no campo: “É difícil ver as péssimas condições a que são submetidas as pessoas, quando um campo de refugiados montado em perfeitas condições está a 50 quilômetros de distância, custou milhões de dólares e agora está vazio.”

MSF está realizando também uma avaliação das condições de saúde mental. Essas pessoas vivem grandes sofrimentos e se sentem bastante inseguras sobre o futuro. Eles estão desesperados por deixar o Iraque, já que sentem que não há futuro para eles no país. Já perderam todas as esperanças, após viverem no outro campo de refugiados por mais de 20 anos, onde eram completamente dependentes de ajuda externa.

MSF acredita que essas pessoas têm o direito de buscar asilo e está tratando deste assunto com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e com as autoridades jordanianas. Esperamos que este problema seja resolvido breve.

(A organização Care e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados armaram tendas para os refugiados. Outra organização, a Oxfam, está cuidando da água e do saneamento e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha está providenciando comida)

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