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Diretor de MSF visita os Territórios Palestinos

04/07/2007
Pierre Salignon, Diretor Executivo do escritório francês de Médicos Sem Fronteiras, fala sobre os efeitos do conflito sobre a população civil nos Territórios Palestinos

Em junho, o Diretor Executivo de MSF-França, Pierre Salignon, viajou para Israel e para os Territórios Palestinos, onde visitou Ramallah, Nablus e Jerusalém. Ele se encontrou com as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF), representantes do governo israelense e da Autoridade Palestina para discutir os programas de MSF na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, as atuais condições de trabalho e a continuidade dos projetos de assistência.

Quais são as repercussões, para a população civil, dos conflitos internos nos Territórios?

A fragmentação da sociedade palestina não é recente mas chegou a um nível sem precedentes, como demonstra a violência entre as facções armadas, os clãs familiares e dentro das próprias famílias. Muitas pessoas foram feridas e mortas em trocas de tiros nas ruas de Gaza. Outras sofrem represálias em razão dos seus ideais políticos sendo, inclusive, baleadas nas pernas. Os hospitais não foram poupados. Ocorreram incidentes dentro das instalações hospitalares e pacientes foram mortos em seus leitos. A população é mantida refém de conflitos internos palestinos, bem como da política da comunidade internacional que, por razões políticas vem lhe negando ajuda financeira desde janeiro de 2006. Este fato tem aprofundado a dependência da população Palestina (por medicamentos, comida e por empregos públicos), condenando-os a um nível de pobreza que só piora a cada dia.

Em meados de maio, o agravamento das divisões internas palestinas resultou em uma renovação das tensões e então, em meados de junho, na retomada do poder da Faixa de Gaza por grupos armados do Hamas. Esta nova situação é particularmente preocupante para os moradores da Faixa de Gaza por causa da ameaça de um bloqueio total dessa área pelo governo de Israel.

Que tipo de ajuda MSF está fornecendo aos Territórios Palestinos?

Nosso trabalho envolve o fornecimento de ajuda médica e psicológica às vítimas da violência e dos conflitos nos Territórios Palestinos. Estamos trabalhando em Gaza, Nablus e Hebron. Mas, em virtude do conflito interno palestino e das incursões do exército israelense, tivemos que suspender nossas atividades por diversas vezes e até mudar o método de trabalho. Por exemplo, nossos psicólogos têm às vezes que suspender durante dias as visitas às residências em Nablus. Membros da equipe internacional em Gaza foram evacuados para Jerusalém. Nossos colegas palestinos têm se encarregado em dar continuidade ao trabalho junto às famílias atendidas e evitam viajar quando as condições estão muito perigosas. Também fazemos doações de medicamentos a hospitais na Faixa de Gaza.

Em razão dessa situação, o que você espera que MSF possa fazer?

Como a situação estava mais calma recentemente, uma equipe internacional pretendia entrar em Gaza para encontrar com os nossos colegas palestinos – alguns dos quais tiveram membros de suas famílias mortos durante a violência que ocorreu no mês passado – para avaliar a situação. A equipe precisará, também, avaliar a situação de saúde e, em particular, a ajuda que podemos fornecer aos hospitais (incluindo equipe médica internacional, doações de medicamentos e suprimentos médicos e ajuda financeira para os médicos que já não recebem seus salários). Foram hospitalizadas mais de 630 pessoas, algumas das quais necessitam de cuidado médico especializado tanto dentro como fora da Faixa de Gaza. Através do nosso programa de cirurgia reconstrutiva em Aman, na Jordânia (que trabalha com feridos iraquianos), talvez possamos fornecer cuidados apropriados para determinados pacientes palestinos feridos, além de referências médicas que estamos organizando para Israel e Egito.

As condições de trabalho de nossa equipe continuam difíceis e perigosas. Os palestinos, enquanto acertam diferenças internas, também lançam foguetes contra Israel, e o exército israelense conduz operações militares em retaliação.

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