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Dificuldades no acesso a atendimento pré-natal é uma realidade para muitas mulheres no Iêmen

21/05/2021
Devido à guerra, a população enfrenta o aumento no custo de vida e tem dificuldades para comprar alimentos e buscar assistência médica
Dificuldades no acesso a atendimento pré-natal é uma realidade para muitas mulheres no Iêmen

Foto: Karin Ekholm/MSF

Como a maioria das outras mulheres em seu vilarejo, Fátima, de 17 anos, não teve acesso ao pré-natal durante a gravidez. Recentemente, ela deu à luz a seu segundo filho na clínica de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Al Qanawis, no Noroeste do Iêmen. Fátima é uma entre as quase 200 mulheres que as equipes de MSF atenderam, no mês de março, durante o parto.
 
A guerra em curso, que já dura seis anos, é o pano de fundo para a falta de cuidados básicos de saúde disponíveis para grande parte da população iemenita. O conflito dizimou a economia, destruindo a fonte de renda de muitas famílias e aumentando o custo de vida. “A vida se tornou muito difícil por causa da guerra”, diz Fátima. “Não há empregos e os preços dos alimentos e dos combustíveis subiram. Eu ouvi falar de MSF, que oferece atendimento médico bom e gratuito. Não podemos pagar os hospitais privados,” afirma.
 
Fátima e seu marido pagaram o salário de uma semana pelo transporte para chegar à clínica de MSF. Ela chegou ao hospital com febre e, quando sua filha nasceu, o bebê foi internado com infecção na enfermaria neonatal. Já Fátima desenvolveu icterícia e também recebeu tratamento. Rotineiramente, os médicos de MSF prestam assistência médica para casos como esse, muitos dos quais poderiam ser evitados se houvesse serviço de saúde primária na região onde as famílias vivem.

Um sistema de saúde deixado em ruínas
 
“O sistema de saúde aqui está em ruínas. Não há serviços de saúde primária que auxiliem no diagnóstico e na prevenção de doenças em estágio inicial. Algumas das mulheres que vêm dar à luz estão desnutridas, o que pode ter um impacto direto na saúde de seu filho. Por conta da desnutrição, os bebês nascem com peso abaixo do ideal e necessitam de tratamento na ala neonatal”, disse Sebastian Loth, coordenador de projeto de MSF em Al Qanawis. “Com pouco dinheiro para pagar o transporte para buscar ajuda médica, as mulheres não têm escolha a não ser esperar até que precisem urgentemente de cuidados. Como resultado, muitas delas chegam tarde, com complicações que às vezes podem ser fatais para os recém-nascidos.”
 
A disponibilidade de cuidados básicos de saúde na região onde vivem, também apoiaria as mulheres nas escolhas de planejamento familiar. Com a população enfrentando dificuldades para comprar alimentos e sem acesso a atendimento adequado de saúde, a perspectiva de outra gravidez e outro parto é assustadora para muitas mulheres. Neste cenário, alguns médicos de MSF relatam evidências de tentativas de aborto, o que pode ser extremamente perigoso. Ainda para evitar uma gravidez indesejada, as mulheres também solicitam a laqueadura em nossa clínica, mas o procedimento só pode ser realizado por razões médicas.

Enorme necessidade de cuidados de saúde gratuitos e seguros
 
Desde que foi inaugurada, no final de dezembro de 2020, o número de mulheres que procuram ajuda na clínica de Al Qanawis tem aumentado constantemente. Há uma necessidade clara pelos serviços que MSF oferece, mas as mulheres geralmente não conseguem ficar por todo o período de monitoramento e tratamento. Fátima, como tantas outras, desejava deixar o hospital mais cedo. Embora isto fosse contra o conselho dos médicos, ela explicou que seu filho de 18 meses a esperava em casa e recebeu alta com uma série de antibióticos para continuar o tratamento em sua residência.
 
Essa história irá se repetir até que as mulheres tenham acesso a cuidados de saúde gratuitos e seguros próximo ao local onde vivem. Sem atendimento, elas continuarão a enfrentar complicações evitáveis durante a gravidez e o parto.

 

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