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Desinformação é um dos principais obstáculos para enfrentar a pandemia na Colômbia

20/07/2020
Boatos e notícias falsas geram medo na população e colocam pessoal médico em risco
Desinformação é um dos principais obstáculos para enfrentar a pandemia na Colômbia

Foto: Erika Chaves/MSF

Uma “epidemia” de desinformação se espalhou pela Colômbia justamente quando houve o aumento do número de casos confirmados de COVID-19, o que afeta negativamente a resposta do país à doença. Ao longo dos mais de quatro meses desde a identificação do primeiro paciente, a população recebeu mensagens contraditórias ou falsas que circularam pelas redes sociais, o que gerou medo de procurar atendimento médico e coloca em risco os profissionais de saúde.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) presenciou essa situação em Tumaco e Norte de Santander, onde foi preciso reorganizar as operações primárias de saúde e saúde mental para apoiar o sistema público em resposta à COVID-19. No curso de suas atividades, MSF conseguiu identificar a circulação de um boato de que a doença era uma “invenção”, para deixar as pessoas morrerem por causa de dinheiro, o que levou a ameaças e ataques contra as equipes de saúde.

Em muitos casos, a resposta limitada das instituições de saúde alimenta essa situação. "Em Tumaco, por exemplo, o atraso na entrega dos resultados dos testes e a falta de clareza em relação ao tratamento de casos suspeitos de COVID-19 gera confusão e desconfiança na população", explica Germán Casas, presidente da Associação de Médicos Sem Fronteiras na América Latina. "Em Tibú, as autoridades renunciaram após receber ameaças de familiares de pacientes que não foram devidamente informados sobre os protocolos a serem seguidos no caso de confirmação de casos positivos, tratamento e mortes", acrescentou Casas.

Lutar contra uma doença pouco conhecida e altamente contagiosa em meio a um contexto tão distorcido é um grande desafio. Como organização com ampla experiência em epidemias em vários países do mundo, MSF conhece em primeira mão o papel fundamental desempenhado por medidas como distanciamento social, higiene das mãos, uso de máscaras e circulação correta de informações na contenção do vírus. Por esse motivo, juntamente com o apoio direto nos hospitais, as equipes da organização concentraram seus esforços na divulgação de mensagens de promoção e prevenção, cujo impacto em muitos casos é severamente limitado pela desinformação.

MSF está implementando uma campanha para apoiar os profissionais de saúde por meio de redes sociais. É preciso compartilhar mensagens positivas e informativas que sirvam para esclarecer dúvidas e gerar apoio para o pessoal médico. Sob o lema "unidos somos mais", a organização procura convidar as comunidades de Tumaco e Tibú para apoiar os profissionais de saúde locais.

Da mesma forma, MSF viu como esse ambiente confuso prejudicou o tratamento de outras doenças, porque as pessoas param de frequentar hospitais por medo de contrair o novo coronavírus. Nos hospitais de Tibú e Tumaco, o número de acessos a atendimentos de emergência, consultas ambulatoriais e na própria sala de COVID-19 foram claramente reduzidos. Nos serviços do segundo nível, há cada vez mais solicitações de casos críticos, e as ressuscitações são cada vez mais frequentes devido ao fato de os pacientes chegarem em estágios muito avançados de suas patologias.

“É escandaloso que, após mais de quatro meses da confirmação do primeiro caso de COVID-19 no país, ainda estamos em muitos lugares tentando convencer as pessoas de que não se trata de uma gripe e de que é fundamental ter cuidado consigo e com os demais. As pessoas devem poder ir a hospitais com confiança, sabendo que não há risco de contágio”, diz Casas. "Para isso, o governo e as instituições devem fazer mais para garantir a conformidade com os protocolos e a proteção adequada para o pessoal de saúde. É o caminho para prevenir mais infecções e evitar um número maior de mortes".

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MSF trabalha na Colômbia desde 1985. Atualmente, está atuando em estreita colaboração com as autoridades de saúde em Norte de Santander, Arauca e Tumaco, a fim de apoiar o planejamento de respostas locais à pandemia de COVID-19. Para isso, as equipes de campo foram ampliadas e parte dos serviços reorientados para responder à doença.

Da mesma forma, continua monitorando pacientes com doenças crônicas e mantém atividades de saúde mental e saúde sexual e reprodutiva com as populações venezuelana e colombiana sem acesso ao sistema de saúde, além de atendimento de emergência por violência sexual e interrupção da gravidez. Faça uma doação e apoie #MSFcontraCOVID19

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