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Darfur: MSF atende deslocados internos em toda a região

11/03/2008
Saiba o que é oferecido no maior projeto humanitário desenvolvido por Médicos Sem Fronteiras

Darfur Oeste

MSF passou seu projeto em Habilah para outra organização não-governamental no fim de 2006. As atividades de MSF, iniciadas em 2004, consistiam no oferecimento de atendimento médico para cerca de 22 mil pessoas, incluindo a população residente e deslocados internos. O principal foco do projeto era a saúde feminina e a saúde mental para as vítimas da violência.

Em setembro de 2007, MSF teve de suspender os serviços de clínicas móveis nos arredores de El Geneina devido ao crescimento da insegurança. Atividades em Seleia, no norte da provincial de Dafur oeste, também foram suspensas em fevereiro de 2008 devido à ofensiva militar promovida pelas Forças Armadas do Sudão. A equipe de MSF tem apoiado um centro de saúde na cidade, oferecendo atendimento cirúrgico, tratamento de saúde reprodutiva, consultas, internação, tratamento para desnutrição severa e tratamento médico para vítimas da violência.

No começo do ano, a equipe de internacional teve de ser retirada de Seleia por razões de segurança. Desde então, MSF tem pedido regularmente as autorizações necessárias para permitir que sua equipe retorne e ajude os colegas sudaneses que ficaram em Seleia para oferecer atendimento médico à população vulnerável restante. Essa autorização foi recusada. Os bombardeios recentes e os ataques forçaram toda a equipe de MSF a deixar a área. No dia 3 de março, uma equipe reduzida conseguiu ficar em Seleia por um curto tempo, mas no momento não há possibilidade de retomar as atividades médicas na área.

MSF oferece atendimento (consultas e internações hospitalares) em Niertiti, ao pé da Montanha Jebel Mara, onde cerca de 33 mil pessoas vivem, entre os quais 20 mil deslocados internos. A clínica também recebe pacientes de alguns vilarejos ao redor de Niertiti, em áreas controladas pelo governo e pelos rebeldes. As atividades médicas estão crescendo a cada ano. Em 2007, MSF realizou cerca de 5,5 mil consultas e 278 internações hospitalares por mês. Cerca de 20 casos complicados foram transferidos para o hospital em Zalingei a cada mês.

Uma vez que a insegurança dificulta a movimentação na região, a equipe de MSF viaja para Thur, perto de Niertiti, duas vezes por semana. Em Thur, a equipe atende cerca de 200 pacientes por dia, mas freqüentemente tem de suspender suas atividades. Durante todo o ano passado, equipes de MSF só conseguiram visitar Thur por cinco meses devido à grande insegurança na região.

Em Kutrum, uma área rebelde, a equipe de MSF realiza cerca de 1,9 mil consultas todo o mês e transfere casos emergenciais para o hospital de Zalingei. Campanhas de vacinação contra a pólio e sarampo, realizadas em setembro e outubro, imunizaram cerca de 9.620 crianças com entre seis meses e 15 anos de idade e cobriram a maior parte da área de Jebel Mara oeste. É difícil para as equipes de MSF se deslocarem nessas áreas isoladas, além de ser perigoso. Para tanto, são necessárias autorizações para que qualquer deslocamento ocorra. Como resultado, MSF não consegue atender todas as necessidades identificadas e muitas vezes é forçada a retirar sua equipe temporariamente.

Em Zalingei, onde vivem 100 mil deslocados internos, MSF agora trabalha em três departamentos hospitalares: emergência (com 1.130 consultas por mês), pediatria (235 internações por mês) e atendimento cirúrgico (com 200 intervenções por mês). Em 2007, houve um aumento significativo no número de casos de desnutrição severa registrados no centro nutricional do hospital (700 crianças comparadas com 419 em 2006). Como resposta, MSF abriu dos centros nutricionais ambulatoriais, um no acampamento de Hamedia em setembro e outro no acampamento de Hassa Issa em dezembro. Essas duas clínicas trataram 1,4 mil crianças desnutridas em 2007. No início de 2008, o centro nutricional em Hassa Issa foi fechado e MSF abriu uma clínica para mulheres e seus filhos no acampamento. À medida que a população de deslocados internos cresce, aumentam também as necessidades médicas e as unidades de saúde existentes hoje nos acampamentos de Zalingei não estão atendendo a essas necessidades.

Darfur Norte

Na cidade de Kebkabiya, a cerca de 150 quilômetros a oeste da capital da província El Fasher, MSF mantém três consultórios e oferece apoio ao hospital do Ministério da Saúde. O trabalho de MSF beneficia 75 mil pessoas, a maioria delas deixou suas casas no início do conflito em 2003 e buscou refúgio na cidade. A desnutrição está aumentando na área, uma vez que as pessoas não podem plantar ou cultivar lavouras devido à insegurança e continuam a contar em grande parte com a ajuda humanitária para sobreviver.

Em junho de 2007, MSF conseguiu reiniciar seu projeto em Kaguro, localizado na região dominada por rebeldes de Jebel Si, que estava em suspenso desde agosto de 2006 devido a um incidente de segurança. Trabalhando em um consultório e apoiando cinco postos de saúde na área, cinco funcionários internacionais e 60 sudaneses oferecem atendimento médico para mais de 50 mil pessoas que perderam o acesso à assistência desde 2003, quando a região foi atacada e a maioria dos vilarejos foi queimado. O consultório atende cerca de 3 mil pacientes por mês. A transferência de pacientes que têm de ser operados (como casos de feridos de guerra e mulheres com necessidade de cesariana) é muito difícil, uma vez que muitas pessoas temem por suas vidas quando cruzam o front para chegar a unidades de saúde maiores. Em janeiro de 2008, aproximadamente 4,2 mil consultas foram realizadas em cinco postos de saúde nos arredores de Kaguro.

Sérios incidentes de segurança forçaram MSF a retirar sua equipe internacional de Serif Umra em julho de 2006. A equipe sudanesa manteve a clínica em funcionamento, a única unidade médica para uma população de 55 mil pessoas, muitas das quais eram deslocadas internas – por cerca de um ano. Uma equipe internacional conseguiu voltar para Serif Umra em julho de 2007. Em Janeiro de 2008, 6,5 mil consultas foram realizadas no consultório. Pacientes que precisam de cuidados de saúde secundários foram transferidos para hospitais em Zalingei ou El Geneina, dependendo da situação de segurança.

Em Shangil Tobaya, MSF oferece atendimento para 28 mil deslocados internos que vivem nos acampamentos em Shangil e Shadat. MSF oferece serviços de consulta e internações, programa de alimentação terapêutica, serviços de saúde reprodutiva e tratamento para vítimas de violência sexual, assim como atividades de saúde mental.

Em agosto de 2007, MSF começou a trabalhar em Tawila, onde quase 35 mil pessoas buscaram refúgio em três acampamentos. Essas pessoas não tinham acesso a cuidados de saúde desde abril do ano passado, quando a última organização humanitária que trabalhava no local teve de deixar a área devido a problemas de segurança. MSF começou a oferecer o serviço de clínicas móveis em três acampamentos, incluindo um programa nutricional e de atendimento a mulheres e crianças, e implementou um pequeno departamento de internação na cidade de Tawila. No entanto, a situação de segurança na área continua muito instável. A equipe de MSF teve de ser provisoriamente retirada em meados de setembro. Em novembro de 2007, a equipe pôde voltar para Tawila e dar continuidade às atividades.

Nos próximos meses, MSF planeja aumentar o número de clínicas móveis em Shangil Tobaya e Tawila para oferecer mais cuidados de saúde a mais pessoas.

Darfur Sul

Com uma população de mais de 90 mil pessoas, Kalma é um dos maiores acampamentos e mantém um departamento de consultas, que atende 2,8 mil pacientes a cada mês. MSF também tem como foco a saúde materna e da criança e administra um centro de saúde da mulher, no qual são realizadas 200 consultas por dia. A unidade oferece tratamento pré e pós-natal, assim como assistência no parto para gestações de alto risco e faz transferências para emergência obstétricas. Planejamento familiar também é oferecido e a equipe de MSF está respondendo a necessidades emergenciais dos recém-chegados.

MSF é uma das três agências humanitárias que oferecem tratamento para sobreviventes de violência sexual. Um programa de saúde mental aborda o estresse psicológico profundo e o trauma vivenciado pela população como resultado das péssimas condições de vida, assim como traumas psicológicos relacionados ao conflito passado.

Atendimento psicológico é oferecido através de várias sessões de aconselhamento por mês, workshops e grupos de apoio. O projeto é complementado por atividades comunitárias ao ar livre. Em outubro de 2007, quando fortes tiroteios no acampamento de Kalma forçaram 25% da população a fugir, equipes médicas de MSF seguiram-no para áreas onde eles foram procurar refúgio - Majok e Sakeli – para oferecer atendimento médico e itens básicos de sobrevivência como galões de água, colchões, cobertores e sabonete.

Localizada em uma área rebelde, Muhajariya é uma cidade grande em Darfur sul, onde MSF oferece cuidados médicos a 70 mil pessoas. MSF oferece serviço de cirurgia e mantém um consultório e um departamento de internação e um laboratório, além de serviços de saúde reprodutiva com atendimento pré, pós-natal e assistência de planejamento familiar. Tratamento para sobreviventes de violência sexual também é possível. Uma vez que a situação nutricional ainda é frágil, a alimentação terapêutica e suplementar continua integrada aos programas de saúde básica. As equipes de MSF também providenciam água para os deslocados internos nos assentamentos dos arredores de Muhajariya, onde programas comunitários são realizados. Quando a cidade de Muhajariya foi atacada em outubro de 2007, a equipe de MSF continuou a tratar cerca de cem pacientes por dia a uma certa altura do conflito. As equipes de MSF expandiram a assistência oferecida através da organização de clínicas móveis para atender milhares de deslocados internos que tiveram de ir para o norte da cidade.

A equipe de MSF em Feina (Jebel Mara leste) mantém serviço pré-natal e um programa de alimentação sem internação e atende cerca de 130 pacientes por dia. Em média, o programa de alimentação tem 60 novas admissões a cada mês. MSF mantém clínicas móveis na área (Deribat, Suni, Jawa, Barkaro, Saboon el Fagor, Dulda, Logi e Leiba) para levar os serviços mais perto dessas populações que continuam espalhadas em uma área de 10 mil quilômetros quadrados e para obter uma visão mais compreensiva de suas necessidades de saúde.

Desde junho de 2007, famílias recém deslocadas têm chegado na área de Bulbul, de outros locais no oeste e sul de Darfur, em busca de segurança. Atualmente, existem cerca de 25 mil pessoas vivendo em Bulbul, no entanto nenhuma ajuda foi oferecida por meses. Quando MSF conseguiu chegar na área, a água era um grande problema, uma vez que havia três bombas manuais para 25 mil pessoas. Uma equipe de MSF está instalando quatro estações de água para fornecer cerca de 500 metros cúbicos de água limpa por dia. MSF também distribuiu alguns itens essenciais de sobrevivência como sabonetes e cobertores.