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Crise de saúde ameaça região oeste da Costa do Marfim

14/07/2003
Além dos altos índices de desnutrição entre crianças, MSF teme que a falta de vacinação, o cancelamento de programas de tuberculose e de HIV/aids, a falta de água potável e o acesso limitado à comida tornem a situação ainda mais vulnerável para os civis.

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras está extremamente preocupada com a situação humanitária no oeste da Costa do Marfim que foi atingida pela guerra e por uma onda indiscriminada de violência.

Num momento em que a população civil está se tornando mais vulnerável, a alimentação é escassa e não há serviços de saúde em funcionamento no que está sendo conhecido como “o oeste violento” do país. As ações adotadas por atores nacionais e internacionais estão longe de atender as necessidades. MSF teme um aumento da desnutrição, da morbidade e das taxas de mortalidade, e apela aos responsáveis para que atendam o mais rápido possível as necessidades de alimentação e saúde da população civil.

MSF está testemunhando o surgimento de uma crise de saúde no oeste da Costa do Marfim. Profissionais de saúde qualificados fugiram em massa dos conflitos e uma quantidade significativa de estruturas de serviços de saúde foi saqueada e destruída. A divisão do país entre as forças em conflito vem impedindo o suprimento de remédios e materiais de saúde. Poucas organizações de ajuda humanitária tentam preencher o vácuo. E programas importantes de saúde, tais como vacinação, e de tratamento de doenças como a tuberculose e HIV/aids não estão mais sendo implementados.

O colapso do sistema de saúde acontece num momento terrível, quando a vulnerabilidade da população civil vem aumentando devido à violência e aos deslocamentos.

“As pessoas que vêm a nossa clínica móvel descrevem como seus vilarejos foram repentinamente atacados por grupos armados que queimaram suas casas e seus estoques de comida. Alvos deliberados dos ataques, as pessoas fugiram para as matas – mais de uma vez – e famílias foram separadas. Jovens e idosos, mulheres chefes de família e mesmo crianças desacompanhadas estão aos poucos saindo das matas e necessitam urgentemente de assistência médica,” diz o coordenador geral de MSF na Costa do Marfim. “O fato de eles terem ficado ao relento, a falta de água potável e o acesso limitado de alimentação os deixa vulneráveis a malária, doenças de pele e desnutrição.”

Hoje MSF assiste a mais de 500 crianças gravemente desnutridas no Centro de Nutrição Terapêutica no oeste. Embora nenhuma pesquisa sobre a situação nutricional tenha sido realizada, MSF teme que este número seja um indicativo de uma crise nutricional.

A insegurança permanente na região impediu o cultivo e teme-se que a população tenha perdido uma safra inteira. A distribuição de alimentos pelas autoridades e por responsáveis por organizações internacionais tem sido insuficiente.

Crianças com menos de 5 anos de idade são as primeiras a serem afetadas, mas MSF está preocupada que, se a situação alimentar não for resolvida imediatamente, a desnutrição cresça ainda mais, atingindo crianças mais velhas.

MSF abriu clínicas móveis em abril deste ano nos distritos de Man e Danané para atender as necessidades de saúde, especialmente na fronteira com a Libéria. MSF vem ajudando o hospital de Man a oferecer serviços de saúde emergenciais, onde mantém o Centro de Nutrição Terapêutica para tratar o alto número de crianças desnutridas. MSF também mantém um Centro de Nutrição Terapêutica em Guiglo e oferece apoio ao centro de saúde em Toulepleu.

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