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Costa do Marfim: medo persiste mesmo após a diminuição da violência

09/06/2011
População deslocada em regiões da fronteira precisa de mais assistência

A situação na Costa do Marfim continua volátil, após os graves conflitos que assolaram o país por vários meses. Semanas após o começo da diminuição da violência, muitas comunidades continuam desertas na região oeste. As pessoas estão se escondendo na mata, deslocadas em acampamentos ou vivendo como refugiados na Libéria. O atendimento a essas pessoas, no entanto, não é suficiente para suprir todas as necessidades na região da fronteira entre a Costa do Marfim e a Libéria.

"Muitas pessoas deslocadas foram vítimas de tipos brutais de violência ou testemunharam mutilações, pessoas sendo queimadas ou assassinadas", disse Xavier Simon, representante de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no país. "Algumas conheciam seus agressores, e temem que eles possam estar próximos de suas casas. As pessoas nos dizem que não conseguem comer ou dormir e que sofrem de ansiedade e palpitações cardíacas. Amedrontadas com o possível aumento da violência ou ataques por vingança, muitos preferem continuar se escondendo ou refugiados. Outros simplesmente não têm mais para onde voltar, já que suas casas foram queimadas e suas plantações destruídas".

Muitas agências de ajuda humanitária estão presentes no oeste do país, mas a maioria delas ainda restringe suas atividades a cidades grandes ou acampamentos de deslocados. Como resultado disso, as pessoas que estão se escondendo na mata, próximo à fronteira, especialmente entre as áreas de Blolequin e Toulepleu, não têm acesso à assistência vital, incluindo alimentação, abrigo ou cuidados médicos.

Para alcançar as pessoas deslocadas, MSF envia clínicas móveis todas as semanas para 25 localidades no oeste e no sudoeste da Costa do Marfim, além de gerenciar outras 20 clínicas móveis nos condados que fazem fronteira com a Libéria. Em maio, equipes móveis de MSF realizaram aproximadamente 5 mil consultas no oeste da Costa do Marfim - cerca de um quinto, das pessoas atendidas ainda se escondiam na mata.

Estima-se que mais de 100 mil marfinenses tenham procurado refúgio na Libéria. Um número pequeno de pessoas continua atravessando a fronteira todas as semanas. Equipes de MSF continuam tratando os refugiados que chegam com problemas de saúde após passarem semanas escondidos na mata.

A grande maioria dos refugiados está espalhada em aldeias da Libéria próximas à fronteira – uma área em que a falta de alimentos é constante. No entanto, visitas recentes de MSF a comunidades no condado de Nimba revelam que muitas pessoas podem não ter recebido nenhum tipo de  alimento ou utensílios de abrigo. Fortes chuvas, estradas precárias e pontes quebradas são obstáculos à ajuda adequada a esta população dispersa.

"As pessoas deslocadas pela violência se deparam com uma inaceitável falta de opção", disse Simon. "Conforme a fome cresce, refugiados na Libéria correm o risco de não receberem a assistência que precisam, a menos que se desloquem para outras áreas específicas. Na Costa do Marfim, as pessoas precisam viajar até comunidades onde não se sentem seguras, atrás de comida ou medicamentos. É fundamental que a resposta médica vá ao encontro dessas pessoas em locais onde elas se sintam seguras".

A estação das chuvas causou um aumento dos casos da malária, tanto na Costa do Marfim quanto na Libéria. Mais de um terço das consultas realizadas por MSF são casos de malária, incluindo e malária grave, que normalmente provoca anemia. Uma em cada dez consultas com os refugiados do condado de Nimba é por dores generalizadas no corpo, o que é prova das duras condições de vida no local e das consequências físicas de traumas psicológicos.

Outras regiões - Médicos Sem Fronteiras continua oferecendo assistência médica em Abidjan, a capital financeira do país. Na cidade, equipes de MSF tratam um grande número de pessoas que procuram atendimento emergencial de cirurgia ou obstetrícia e oferece cuidados médicos gerais. Desde o começo do trabalho de MSF na Costa do Marfim, a organização ofereceu cuidados médicos a 95 mil pessoas no país e mais 27 mil refugiados na Libéria.

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