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Como uma equipe de MSF está salvando pacientes pediátricos no Iêmen

12/11/2021
A enfermeira pediátrica Alison Moebus explica como sua equipe no Iêmen está superando as adversidades em uma zona de crise
Foto por: Hareth Mohammed/MSF

Havia uma inegável sensação de entusiasmo no ar. Uma multidão de enfermeiras de uniformes azuis se preparou apressadamente. Dois médicos muito entusiasmados, que estavam fazendo o possível para parecerem descontraídos, pararam ao fundo, tentando esconder seus sorrisos radiantes. O líder da equipe médica aplaudiu do lado de fora.

Este não era um dia comum na enfermaria neonatal de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Iêmen. Depois de meses de planejamento, pedidos de farmácia, fornecimento de utensílios, elaborando diretrizes e realizando treinamento, finalmente estava acontecendo. Estávamos implementando um novo tratamento para nossos pacientes mais jovens e vulneráveis que, sem dúvida, poderia salvar vidas.

 

24 horas antes

Apenas 24 horas antes, havíamos internado uma menina de duas semanas com pneumonia. Seu nome era Khadeja. Ela estava tossindo e cuspindo e enfrentava dificuldades para respirar, adquirindo uma tonalidade assustadora de azul enquanto tentava se recuperar dos ataques de tosse.

Sua história não é exclusiva, nem no Iêmen, nem em muitas outras partes do mundo. A pneumonia é a principal causa de morte em crianças menores de cinco anos e é responsável por 1,3 milhões de mortes a cada ano, já que o oxigênio e os antibióticos continuam sendo luxos inacessíveis em muitos países.

 

A virada de chave

No entanto, no hospital apoiado por MSF no distrito de Khamer, Iêmen, estávamos implementando algo que tinha o potencial de fazer uma grande diferença para pacientes como Khadeja: a oxigenoterapia umidificada de alto fluxo (também conhecida simplesmente como “alto fluxo”), que fornece mais suporte respiratório do que a oxigenoterapia tradicional que utiliza uma máscara ou cânulas nasais. Ela mudou o jogo no cuidado de crianças doentes em todo o mundo e é comumente usada em muitos departamentos neonatais e pediátricos, mas nunca antes no Iêmen e raramente dentro de MSF.

 

A recompensa

Enquanto a pediatra falava com os pais muito ansiosos em um canto da sala, os enfermeiros prepararam nosso paciente de duas semanas em outro. Eu não poderia estar mais orgulhosa dessa equipe da qual fiz parte em minha sexta missão com MSF.

Um mês atrás, as enfermeiras nunca tinham ouvido falar de “oxigenoterapia com cânula nasal de alto fluxo umidificada” e muito menos visto um dispositivo de alto fluxo. Mesmo assim, ali estavam eles, iniciando o tratamento com confiança, o que sem dúvida aumentaria as chances de sobrevivência desse lindo bebê. Horas de preparação da equipe, revisando princípios básicos e lutando contra novos conceitos: tudo valeu a pena.

 

Uma cor melhor

Após a comoção da tarde, nosso primeiro paciente em alto fluxo se acalmou e começou a melhorar. Novas intervenções exigem perseverança e horas de trabalho de muitos profissionais.

Nossa pequena paciente não precisava mais se esforçar tanto a ponto de seu peito se retrair a cada respiração. Sua pele ficou um pouco menos azulada. Durante os 10 dias seguintes, ela melhorou lentamente, não apenas com a oxigenoterapia de alto fluxo, mas com o cuidado e a atenção dados a ela pela equipe médica e de enfermagem junto à sua família.

 

Profissionais dedicados que fazem a diferença

Implementar novos padrões de atendimento só é possível com o comprometimento e a disposição da equipe em experimentar coisas novas. Novas intervenções exigem perseverança e horas de trabalho de muitos profissionais. Podem ser enfermeiras, médicos, farmacêuticos, logísticos e tradutores que atuam no terreno, bem como coordenadores de equipes médicas e especialistas que dão o seu apoio de locais distantes em todo o mundo.

Esperamos que a implementação de alto fluxo não apenas reduza a doença de nossos pacientes pediátricos, mas também signifique que as equipes possam salvar mais vidas. O sucesso deste projeto, e a diferença que fará para pacientes como Khadeja, deve-se apenas ao empenho de enfermeiras e médicos que trabalharam juntos para que isso acontecesse.

 

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