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Combate ao sarampo em Samoa

14/02/2020
MSF enviou uma equipe ao país para apoiar a resposta local a um surto de sarampo
Combate ao sarampo em Samoa

Foto: Franck Ngonga/MSF

Médicos Sem Fronteiras (MSF) enviou uma equipe a Samoa para apoiar os profissionais de saúde locais no tratamento casos simples de sarampo, em resposta a um surto da doença, a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS).
MSF monitora regularmente a região do Pacífico em busca de necessidades médicas e humanitárias, fornecendo avaliações e oferecendo apoio, conforme necessário.

Foco em hospitais menores

Após reunir-se com outras equipes médicas e avaliar as necessidades, MSF identificou que a maior parte dos recursos estava focada nos dois principais hospitais de referência do país, que tratavam os pacientes mais doentes, mas os recursos para hospitais menores eram insuficientes.

“Determinamos rapidamente que a lacuna principal na resposta a nível distrital, cujo hospital costumava ser o primeiro ponto de contato com os pacientes e onde casos simples eram recebidos”, diz Melissa Hozjan, consultora de enfermagem pediátrica de MSF que integrou a equipe que viajou para Samoa.

O protocolo inicial do governo para responder ao surto foi desenvolvido pela OMS, com o uso das diretrizes de MSF para o manejo do sarampo. Nossa equipe também desenvolveu o protocolo para a gestão de casos não-complicados, em colaboração com o Ministério da Saúde de Samoa e a Equipe de Assistência Médica da Austrália (AUSMAT, na sigla em inglês).

A importância da vitamina A

O protocolo garantiu o uso sistemático de vitamina A em todos os casos de sarampo; uma parte essencial da resposta ao surto, que não havia sido implementada anteriormente. A vitamina A é crucial para reduzir a gravidade das complicações do sarampo, especialmente em crianças com menos de 5 anos de idade.

"Com base na experiência de MSF em respostas a surtos de sarampo em todo o mundo, sabemos a importância da vitamina A. Crianças com reservas baixas de vitamina A são mais vulneráveis a complicações graves do sarampo, como cegueira e doenças respiratórias. As evidências mostram que a suplementação de vitamina A reduz a gravidade dessas complicações.”

Depois de desenvolver o protocolo, a equipe visitou os hospitais distritais para treinar profissionais locais e para garantir que as instalações tivessem os medicamentos necessários. Também fortalecemos as práticas rotineiras de prevenção e controle de infecções nos hospitais distritais e de referência.

Um surto evitável

O surto de sarampo em Samoa infectou mais de 5.700 pessoas e matou 83, muitas delas crianças com menos de 5 anos, em uma população nacional de apenas 200 mil habitantes.

O sarampo pode ser prevenido por vacina, mas as taxas de vacinação em Samoa caíram depois que o governo suspendeu temporariamente o programa de imunização nacional, por causa de um erro na administração da vacina que levou à morte de duas crianças.

Com o aumento dos casos de sarampo, o governo lançou uma campanha de vacinação em massa e declarou estado de emergência, fechando escolas e restringindo viagens e reuniões públicas.

“Não havia ninguém pelas ruas ou estradas. Estava silencioso. Tinham bandeiras vermelhas ou algum item fora das casas das pessoas que marcasse que elas precisavam de vacinação. Algumas pessoas tinham medo da vacina, mas colocavam as bandeiras mesmo assim, porque sabiam que seus familiares e amigos estavam doentes e precisavam da imunização”, diz Melissa.

Embora o estado de emergência tenha terminado, Melissa alerta que algumas crianças enfrentarão problemas de saúde contínuos como resultado da infecção pelo sarampo.

“Algumas crianças estavam tão indispostas que precisavam de suporte respiratório de alto nível em terapia intensiva que, ao contrário de muitos outros locais onde MSF trabalha, estava disponível. Portanto, muitas dessas crianças sobreviveram, mas podem ter complicações respiratórias e neurológicas a longo prazo.”

O surto ocorreu em um cenário de crescente número de casos de sarampo em todo o mundo, inclusive na Austrália, nos últimos anos. MSF também está respondendo a uma epidemia em curso na República Democrática do Congo, que infectou mais de 310 mil pessoas e matou mais de 6 mil desde janeiro de 2019.

 

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