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Cirurgiã reforça equipe de MSF na República Centro Africana

08/03/2007
A partir de hoje, a mineira Eliane Mansur contará em seu Diário de Bordo como é trabalhar em Batangafo, no norte da RCA, onde realiza cirurgias de emergência e eletivas

Considerada o coração da África, devido a sua localização geográfica, a República Centro Africana (RCA) encontra-se devastada por ondas de violência, malária e epidemias. De acordo com estimativas do governo, quatro milhões de pessoas vivem no país, 67% delas com menos de US$1 por dia, fazendo com que a RCA seja o considerado uma das nações mais pobres de mundo.

Desde 1997, Médicos Sem Fronteiras (MSF) atua no país, atendendo a população necessitada. Este ano, a equipe internacional ganhou o reforço da cirurgiã brasileira Eliane Mansur, de 45 anos. Recrutada em 2006, ela está desde janeiro em Batangafo, na região Ouham (norte da RCA), onde vivem 50 mil pessoas, para realizar operações de emergência e introduzir os procedimentos eletivos.

A partir desta quinta-feira, a cirurgiã mineira contará em seu Diário de Bordo como é trabalhar em um contexto de emergência. Nesta entrevista, Eliane fala um pouco da, como ela mesmo define,' a experiência difícil, porém gratificante' de ser médica na República Centro Africana.

Esse é seu primeiro trabalho com Médicos Sem Fronteiras. Qual expectativa você tinha em relação ao projeto?

No início, achei muito estressante por não saber se seria capaz de corresponder às expectativas do trabalho a ser realizado. Mas com o apoio da equipe, a ansiedade foi superada. Hoje, sinto-me completamente realizada e à vontade em meu trabalho no dia-a-dia em Batangafo.

O que mais te impressionou?

A organização e eficiência do trabalho de MSF, tanto no recrutamento quanto no trabalho de assistência médica prestada em seus projetos.

Como é o trabalho em Batangafo?

Em julho do ano passado, MSF decidiu dar início a um projeto aqui para oferecer gratuitamente cuidados primários e secundários de saúde e responder às necessidades humanitárias de urgência. MSF assumiu o controle do Centro de Saúde de Batangafo, que conta com 72 leitos, distribuídos entre os departamentos de Pediatria, Maternidade, Medicina Geral de Adultos, Cirurgia e uma Unidade de Tratamento de Tripanossomíase (Doença do Sono), que é considerada atualmente o centro de referência do país.

Quantas pessoas trabalham em sua equipe?

A coordenação e organização da assistência médica local é realizada por cinco expatriados do MSF: um clínico-geral ruandês, uma enfermeira italiana e uma belga, um logístico francês e eu, uma cirurgiã brasileira. Trabalhamos em conjunto com uma equipe MSF local, composta por cerca de 20 profissionais, entre eles uma ginecologista e um cirurgião em treinamento de Bangui. Todos sob a supervisão e orientação da equipe de coordenação geral de MSF para a RCA, sediada em Bangui.

Como a senhora conheceu o trabalho de Médicos Sem Fronteiras?

Através de reportagens em jornais. Sempre quis trabalhar como médica em uma organização humanitária que tivesse projetos em países fora do Brasil, por isso me candidatei.

O que a senhora diria para as pessoas que, como você, desejam trabalhar com MSF?

Trabalhar como médica em um contexto humanitário de carência e vulnerabilidade acentuada tem sido a experiência mais gratificante, e também a mais difícil, da minha vida. A possibilidade de participar ativamente da melhoria das condições de vida das populações em sofrimento extremo deu sentido ao ideal de “Ser Médico” e tem ampliado o sentimento de responsabilidade e compromisso pela qualidade da vida humana numa escala global.