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Cinco relatos de migrantes atendidos por MSF

23/01/2020

Abdu – Mar Mediterrâneo

Abdu foi um dos 39 resgatados no mar pelo navio Ocean Viking no dia 17 de janeiro. Os sobreviventes disseram que, quando chegaram à costa da Líbia, viram um barco pequeno de madeira em meio ao mar agitado e ficaram com muito medo. Algumas pessoas não queriam ir, mas homens mascarados e armados as forçaram a entrar no barco. Ninguém tinha colete salva-vidas.

"Os contrabandistas não nos tratavam como humanos. Eles nos espancavam e nos ameaçavam. Com o mar à frente e o inimigo atrás, só tínhamos uma opção: entrar na água.”

Raido – Grécia

Raido é uma mulher somali que vive com seus filhos em um apartamento perto de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia. Um deles, de 7 anos de idade, tem paralisia, mas eles não recebem nenhum tipo de ajuda e não há médicos em Lesbos para ajudá-lo.

“O hospital disse que não há atendimento especializado para meu filho, Abdul, e que devemos ser transferidos para um hospital maior. Eu tenho um filho doente, ele está totalmente paralisado, é epilético e não consegue dormir. Ninguém pode me ajudar aqui. Sou mãe, tenho outros 3 filhos, e estamos presos em Lesbos”.

Soyud Hussain – Bangladesh

Soyud Hussain tem mais de 70 anos de idade e vive no campo de refugiados de Kutupalong, em Bangladesh.

"Estou aqui há quatro anos. Minha família toda está aqui. Eu tive dois filhos, um deles foi sequestrado e morto pelos militares de Mianmar há dois anos. Não há espaço para estudar, comer ou se locomover em Rakhine.

Alguns anos atrás, alguns soldados de Mianmar me pararam e me forçaram a carregar uma mala com munição. Era extremamente pesada e eu caí. Eles me chutaram e arrancaram meus dentes. Eu construí minha casa com bambu, mas eles me forçaram a dar dinheiro e roubaram todas as minhas colheitas. Não consegui tratamento dental lá, então, vim para Bangladesh. Aqui consegui receber tratamento.”

Sawsan Othman Khudeda - Iraque

Sawsan Othman Khudeda tem 40 anos de idade e vive no Monte Sinjar, no Iraque.

“Tenho 10 filhos. Três deles são deficientes. Vivemos em uma tenda em um campo de deslocados internos no Monte Sinjar. Às vezes, ficamos sem água por três dias. No verão, é insuportavelmente quente. Durante o inverno, faz muito frio e as chuvas destroem tudo. O inverno é muito difícil aqui. Antes do genocídio, tínhamos uma casa em Sinuni. O Estado Islâmico explodiu tudo. Como não temos dinheiro para reconstruí-la, somos obrigados a ficar aqui, nessas condições.

Levei minha filha deficiente em uma consulta de saúde mental. Ela é agressiva e tem tendência suicida. Depois me tornei paciente. Penso demais o tempo todo por causa dos meus filhos deficientes e das nossas condições de vida. Não consigo dormir. Antes, trabalhávamos em pomares, ganhávamos algum dinheiro. Aqui, não há trabalho, não há dinheiro. Dois dos meus filhos ainda trabalham como diaristas. Quando há trabalho, temos alguma renda, mas muitas vezes não há nada.”

Delio - Brasil

Delio Silva é um indígena da etnia Warao. Ele veio da Venezuela e hoje vive em um abrigo localizado no bairro de Pintolândia, em Boa Vista, capital do estado brasileiro de Roraima. O abrigo era um ginásio de esportes; agora tem várias redes espalhadas pela quadra poliesportiva.

“Nós até sobrevivemos, mas é como pegar um pássaro e colocá-lo em uma gaiola. O pássaro só recebe o que não quer comer. É assim que os indígenas vivem aqui, não temos uma vida boa. Não somos livres, não temos liberdade. Nossa cultura não é respeitada.”




 

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