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Cidades na Guatemala atingidas por furacão ficam sem água e recebem ajuda de MSF

17/10/2005
Para evitar surto de doenças como malária e dengue, MSF começa a limpar poços, distribuir telas embebidas em inseticidas e instalar tanques de água potável nas regiões mais afetadas pelo Stan. Numa cidade de 20 mil habitantes, há 6 mil desabrigados

Depois da passagem do Furacão Stan que atingiu a Guatemala e El Salvador entre os dias 4 e 9 de outubro, MSF fez uma avaliação das necessidades nas regiões mais afetadas por terra e helicóptero em todas as áreas atingidas da Guatemala. Após uma resposta emergencial quando MSF ofereceu água e kits de ajuda humanitária, a organização está consolidando suas atividades com um enfoque no abastecimento de água e no saneamento, além de monitorar as áreas com maior risco de malária e dengue, que são as áreas mais afetadas. Abaixo, as atividades de MSF na região.

Santiago de Atitlán, Departamento de Sololá

MSF vai assumir a coordenação da assistência básica de saúde, controle epidemiológico, água e saneamento e saúde mental nos alojamentos provisórios de Santiago de Atitlan. As pessoas afetadas não podem retornar para suas casas já que elas estão destruídas. A maioria das pessoas vem de Panabaj, um vilarejo próximo que foi declarado um cemitério.

Cerca de 6 mil pessoas permanecem em 40 abrigos provisórios dentro da cidade de Santiago de Atitlan (20 mil habitantes), uma região turística próxima do Lago Atitlan. As pessoas que não podem retornar para casa acampam em igrejas, escolas, residências particulares e em outras estruturas.

Apesar da presença de uma grande quantidade de médicos (entre 200-300 vindos de Cuba para esta emergência) e de inúmeras ONGs, o problema principal continua sendo a falta de água potável e a superlotação dos abrigos. Até o momento alguns casos de diarréia já foram registrados enquanto outras doenças vêm sendo monitoradas.

Nueva Concepción, Departamento de Escuintla

Durante uma missão exploratória de MSF no Departamento de Escuintla, uma equipe de MSF descobriu duas pequenas cidades onde nenhuma ajuda humanitária havia chegado desde o início das operações de emergência. As comunidades de Canoítia e Santa Ana tinham graves problemas de falta de reservatórios de água, a maioria das casas estava parcialmente destruída e o posto de saúde totalmente destruído.

A região é conhecida pelos surtos de cólera, mas nenhum caso foi registrado até o momento. No entanto, a equipe irá monitorar a situação epidemiológica e receberá um especialista em água e saneamento nos próximos dias.

Chiquimulilla, Departamento de Santa Rosa

Após uma missão exploratória realizada em Chiquimulilla MSF está preocupada com o risco de doenças em áreas que permanecem alagadas e permanecerão assim pelas próximas semanas.

MSF quer reduzir o risco de transmissão de malaria e dengue na região de Chiquimulilla (3 mil e 100 famílias). A intervenção vai se concentrar na limpeza dos 3.020 poços, controle de vetores, distribuição de 10 mil telas embebidas com inseticidas e na avaliação do estado real das residências. Nos próximos dias, cinco clínicas móveis farão uma visita nas comunidades próximas de Chiquimulilla, e as equipes de saúde irão monitorar a situação epidemiológica.

Coatepeque

Pelo menos 6 mil pessoas permanecem vivendo em abrigos provisórios em Coatepeque (130 mil habitantes), mas as autoridades já confirmaram que a situação de saúde será mantida pelas brigadas médicas cubanas. MSF permanecerá monitorando a situação enquanto realiza suas atividades habituais na clínica de HIV/Aids em Coatepeque.

Por dois dias, uma equipe de saúde ofereceu consultas médicas em Ocós, na fronteira com o México. Lá, 130 pessoas, quase todas com pequenos problemas de saúde tais como micose, compareceram às consultas no centro de suprimentos. No entanto, a equipe vai se concentrar nas atividades de água e saneamento a partir de agora.

MSF instalou três tanques de 40 mil litros de água em Ocós. Nos próximos dias, a equipe vai limpar os poços já que eles possuem uma profundidade de 2 a 3 metros e podem ser facilmente contaminados. As atividades de água e saneamento serão realizadas em Ocós, Limones e La Independencia.

A equipe de MSF também realizou uma missão exploratória em cidades da fronteira mexicana para chegar a Malacatan, na Guatemala, que estava inacessível por terra. As estradas estão voltando aos poucos a ser utilizadas.