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Chade: MSF pede intervenção urgente da ONU após verificar desnutrição entre refugiados

06/06/2003
41.000 refugiados vivem em situação precária na fronteira entre o Chade e a República Centro-Africana. Apesar dos apelos de MSF, a ONU e o Programa de Alimentação Mundial não assumem a responsabilidade de garantir comida e segurança a essas pessoas.

Os primeiros sinais de desnutrição estão agora evidentes entre os refugiados em Gore, a 25 km da fronteira do Chade com a República Centro-Africana. Num levantamento nutricional realizado recentemente por MSF, 30% das crianças com menos de 5 anos de idade estão correndo risco de terem graves problemas de desnutrição. Mesmo assim não há previsão de chegada de alimentos.

O coordenador de emergência de MSF, Chris Verhecken, explica que “desde março, os refugiados receberam apenas 8 quilos de cereal por pessoa: menos que um terço da quantidade necessária. Não há sementes para se plantar e não há alimentos para se comer, o resultado é que nas nossas clínicas já observamos um aumento no número de crianças desnutridas.”

Desde o início desta crise há 6 meses, a organização Médicos Sem Fronteiras vem oferecendo água potável, abrigo e tratamento médico mas está trabalhando agora no limite da sua capacidade. MSF já pediu inúmeras vezes ao Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) que faça mais para ajudar esses refugiados.

“Esta população está precisando urgentemente de mais assistência, especialmente em termos de alimentação e segurança,” explica Chris Verhecken, “e devido às chuvas do final de semana passado a situação se tornou ainda mais precária.”

A insegurança permanente do país impede a maioria dos refugiados de retornar para casa. Além disso, a falta de comida chegou a níveis preocupantes a ponto de alguns refugiados preferirem correr risco de vida retornando para suas casas.

Em novembro do ano passado o primeiro influxo de refugiados chegou ao Chade, fugindo da guerra na República Centro-Africana. Hoje, 41.000 pessoas permanecem numa situação terrível, e MSF pede ao ACNUR e ao Programa de Alimentação Mundial (PAM) que assumam as suas responsabilidades e levem ajuda e proteção antes que seja tarde.

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