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Chade enfrenta crescente crise humanitária

18/06/2007
Pesquisa realizada por Médicos Sem Fronteiras indica que uma em cada cinco crianças do país sofrem de desnutrição aguda

Enquanto Dafur é o centro de um intenso foco político – corredores humanitários partindo do Chade e etc. – isso tem pouca relação com a realidade no terreno. No Chade, cerca de 150 mil deslocados internos estão enfrentando uma crise humanitária cada vez mais grave.

Apesar de uma pesquisa de MSF ter confirmado a situação de emergência, a assistência ainda é insuficiente e MSF está se deparando com vários obstáculos com relação à expansão de suas atividades.

No leste do Chade, repetidos ataques mortais contra vilarejos nos 18 meses passados forçaram dezenas de milhares de pessoas a abandonarem suas casas. Agrupados em acampamentos, onde a segurança nem sempre é garantida, eles vivem em cabanas e enfrentam falta de alimentos, água e acesso a atendimento médico.

Epicentre, o centro de pesquisa e vigilância epidemiológica de MSF, realizou um levantamento no fim de maio nas proximidades dos acampamentos de Goz Beida. Essa pesquisa mostrou que uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição aguda e que a taxa de mortalidade registrada entre 30 de março e 20 de maio de 2007 eram catastróficas.

Até muito recentemente, a assistência oferecida por muitas organizações no Chade tinha como foco os refugiados vindo de Darfur e a população de deslocados internos negligenciada. Em abril, o Escritório das Nações Unidas para Assistência Humanitária (OCHA, na sigla em inglês) finalmente divulgou um plano de emergência de três meses, mas seus objetivos com relação à comida, água e abrigos são inadequados.

"Em Goz Beida, a população de deslocados internos recebe entre três e oito litros de água por pessoa por dias, enquanto deveriam receber 20. Apenas cerca de cem crianças desnutridas estão recebendo tratamento, mas nossa pesquisa estima que pelo menos duas mil crianças sofrem de desnutrição severa", explicou Franck Joncret, chefe de missão de MSF no Chade. "Essa política de racionamento de ajuda para os deslocados internos é inaceitável".

MSF está presente em Dogdore, Goz Beida, Ade, Koukou e Kerfi e está expandido suas atividades. Em algumas localidades, no entanto, MSF enfrenta grandes dificuldades. Apesar dos freqüentes pedidos, MSF ainda tem recusada a autorização para abrir um hospital pediátrico em Goz Beida, que teria como foco o tratamento de crianças desnutridas.

Haverá um aumento nos casos de malaria e nos de doenças epidêmicas associadas à diarréia durante a estação das chuvas, que tem início no fim deste mês. Nós também tememos um aumento significante da desnutrição. Tendo em vista a previsão de deterioração da situação, é urgente a necessidade de aumento da capacidade hospitalar, para melhorar o fornecimento de água e responder aos problemas nutricionais.

"É imperativo que a emergência no Chade seja amplamente reconhecida, que as organizações de saúde forneçam uma ajuda maciça e imediata para os deslocados internos e que as autoridades do Chade facilitem a ajuda humanitária", afirmou Isabelle Defourny, coordenadora dos projetos de MSF no Chade.

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